sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

PROSSEGUINDO COM FÉ.

A Editora Abril tentou me vender uma assinatura da revista Veja nesta semana. Mandaram-me uma correspondência já com um boleto e com uma oferta quase irrecusável. E, porque era “quase” irrecusável, recusei. Mas, o interessante desta correspondência é que ela veio com a seguinte pergunta: Joel, o que vai acontecer na sua vida em 2009?

Fiquei muito espantado com a pergunta e nada espantado com a minha resposta: Não sei! Um sonoro e definitivo “Não... sei!” Eu não sei nem o que irá acontecer amanhã, que dirá no ano que vem inteirinho! Não sei se vou me casar. Não sei se continuarei no ministério da igreja. Não sei se ainda estarei com os meus pais. Não sei, sequer, se estarei no ministério pastoral. Não sei nem se estarei vivo durante todo o ano! São muitas as coisas que eu não sei. Por isso, esse tipo de pergunta me espanta.

Acho absurdos os exercícios de futurologia que as pessoas fazem nesta época do ano. Coisas do tipo: “Quem vai morrer? Quem vai se casar com quem? Será que a crise vai passar? Será que o mundo vai acabar?” Além de absurdas, estas práticas são erradas, biblicamente falando. Deus não nos autoriza a olhar para o futuro tentando adivinhá-lo. Não temos esta capacidade e nem nunca teremos. Justamente por isso é que Tiago, em sua carta, nos orienta a sempre dependermos de Deus. Ele diz: “Agora escutem, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos a tal cidade e ali ficaremos um ano fazendo negócios e ganhando muito dinheiro!” Vocês não sabem como será a sua vida amanhã, pois vocês são como uma neblina passageira, que aparece por algum tempo e logo depois desaparece. O que vocês deveriam dizer é isto: “Se Deus quiser, estaremos vivos e faremos isto ou aquilo.” (Tg 4.13-15). Esta é a orientação de Deus para as nossas vidas.

Na Bíblia, que é a nossa regra de fé e conduta, somos ensinados e estimulados a sempre olharmos e a dependermos do Senhor. Não sabemos como será 2009 para nós. Mas Deus sabe e, porque Ele sabe, quero estimular você a fazer como eu: confie Nele. Confiar no sentido de crer que o Deus a quem servimos é real e tem sempre o melhor para as nossas vidas. Quero estimulá-lo a ter, de fato, fé em Deus. Fé é crer em Deus. Fé no sentido de confiar no caráter de Deus. Não, necessariamente, confiar naquilo que Ele vai fazer ou deixar de fazer. Uma fé que te permita dizer: “Não importa o que aconteça, eu continuo confiando em Deus. Eu confio que Deus não apenas existe, mas que é bom, justo e amoroso. Confio em Deus. Confio que Deus sabe o que faz. Confio que Deus faz o que bem deseja fazer. Confio em Deus independentemente de entender o que Ele faz ou deixa de fazer”. Isso é fé, queridos. E Hebreus 11.6 nos diz que “sem fé é impossível agradar a Deus”. Fé é confiar no caráter santo, justo, amoroso e bom do nosso Deus, independentemente do que possa nos acontecer em 2009. Sei que não é fácil. Mas garanto que não é impossível. Vamos adentrar 2009 com essa confiança no nosso coração e, tenho absoluta certeza, não seremos frustrados na nossa intenção de fazer da nossa comunidade um lugar de comunhão, adoração, serviço, evangelismo e discipulado para a honra glória do nosso Pai Amado. Não desanimemos. Prossigamos firmes em nome de Jesus e que Ele nos abençoe.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

KIRK FRANKLIN FALA SOBRE PORNOGRAFIA.

(via sexxxchurch.com. Clique no título do post e leia este e outros artigos sobre os perigos da pornografia).

Kirk Franklin vendeu mais de dez milhões de discos em menos de dez anos, ganhou três prêmios Grammy e sete vezes o prêmio Dove. Seu sucesso “Stomp”, do álbum triplo de platina “God’s Property”, o transformou no astro dos jovens na MTV.

Quando a carreira de Kirk chegou ao topo há alguns anos, sua vida pessoal deixou de ser secreta. Kirk deixou claro e confessou seu vício em pornografia.

“Havia sempre aquele menino cujo irmão mais velho tinha revistas pornográficas. A primeira vez que vi uma devia ter uns oito ou nove anos. A partir daí me tornei um viciado. E levei isso para meu casamento. Minha esposa ficou ciente da situação somente no segundo ano de casados”.

A esposa, Tammy, ao ser questionada sobre quando descobriu, respondeu: “Bom, assim que descobri que ele estava com problema ele disse: ‘Querida, vamos fazer a coisa mais verdadeira. Vamos manter a verdade’”, conta.

Kirk afirma que, quando casaram, ele ainda tinha aqueles solteiro, e tentou fazer com que sua esposa visse junto com ele. “No segundo ano do nosso casamento, ele tentou implementar isso dentro do nosso relacionamento. Ele dizia: ‘Veja isto comigo, querida’. Essa atitude me fez sentir suja. Nossa intimidade deixou de ser santa. Eu pensava: ‘Eu não estou olhando, não vou ver isso com você’, e ficava com raiva”, conta Tammy.

A vida secreta de Kirk teve acessos de fúria enquanto ele viajava para promover seus últimos lançamentos. Em casa, Tammy não fazia idéia da extensão do problema dele. “Não vi nenhuma evidência de que ele estivesse fazendo aquilo em casa. Ele sabia o que eu pensava sobre essa situação”.

Para Kirk, fazer isso em casa, não tinha tantos problemas. “Eu tinha uma vida secreta, assistia a programas de pornografia na TV enquanto ela dormia”.

E como você entender que esse vício tinha que ser enfrentado? Kirk conta: “Nós estávamos num hotel em Los Angeles numa manhã e eu disse: ‘Querida, preciso te contar algo. Estou lutando contra a pornografia. E isso é um problema’”.

Em sua resposta, Tammy foi sensível. “A melhor coisa foi que ele viu isso como um problema. A maioria dos homens acha que isso é normal. E o fato de ele vir até mim buscando a transformação me fez feliz. Então, comecei a orar por ele intensamente. Eu queria que ele soubesse, mais do que qualquer outra coisa, que teríamos de combater juntos”.

“Isso é que é estranho na pornografia. Existem diferentes pessoas, mesmo na sociedade, que sentem isso de uma forma diferente. Entende o que estou tentando dizer? Existem alguns homens cristãos que conheço que diriam: “Eu prefiro fazer isso do que enganar a minha esposa”. Quando eu tive de esclarecer o assunto, disse: ‘Amigo, estamos enganando nossas esposas. Conforme aquilo que o homem pensa, assim ele é. Então, estamos as enganando’”, comenta Kirk.

Kirk tinha ao seu lado uma esposa disposta a atravessar tudo isso ao seu lado. Mas e quanto às pessoas que tomaram conhecimento disso? “É estranho porque você está falando com um homem que foi ministro de louvor na igreja desde quando tinha onze anos. Você acharia que a sociedade é que faria com que eu tivesse que me examinar. Acho que as pessoas devem ser alertadas. Eu desejei que alguém tivesse me ensinado sobre isso quando passei pelo problema, há muito tempo atrás. Que alguém tivesse me falado sobre as conseqüências do sexo, da carne e da luxúria, da vaidade, do orgulho do ego, e de todas as outras coisas. Eu gostaria que alguém tivesse me acompanhado anos atrás. Mas deixa eu te contar uma coisa que aconteceu com “o talentoso”: “o talentoso” da igreja caiu. Eles conseguem, natural e emocionalmente, controlar a atmosfera do culto da igreja”, explicou Kirk.

As pessoas se referiam a ele com base no talento, ao invés de vê-lo como homem. “Ninguém pergunta ao levita: “Você está firme? Como vai o casamento? E o relacionamento entre você e sua esposa?”. Ninguém exige a responsabilidade do “talentoso” na sociedade”.

Apesar da esposa de Kirk saber de seu problema e orar por ele, ninguém o ajudou em seu posicionamento. Até que ele conheceu o Pastor Tony Evans, um homem que não estava deslumbrado com a fama de Kirk. “Fui à igreja dele pela primeira vez em 1988. Eu tinha um álbum chamado “Stomp”. Eu estava indo viajar à Dublin, Irlanda, para cantar com Bono Vox, recebia flores de Arsênio Hall, cartas de Mike Tyson, estava saindo com Denzel Washington e todas aquelas pessoas famosas. Eu estava gravando o piloto de um programa de televisão para a ABC. Mas tudo isso não se pode levar para o céu. Contudo, eu me banhava nisso e muitas pessoas da minha comunidade também”, conta.

Mas, quando Kirk e sua família começaram a freqüentar a igreja do Pastor Evans, Kirk não recebeu o mesmo tratamento a que estava acostumado.

Segundo Pastor Evans, o respeito às pessoas é fundamental. “Você vem para cá do mesmo jeito que todos vêm – através da cruz. E na cruz o chão é muito nivelado, e você é tratado igual a todos. Reconhecemos seus talentos, respeitamos as pessoas. A Bíblia diz “para dar honra a quem merece honra”. Mas há apenas uma pessoa célebre, e ela é Jesus Cristo”.

Para Kirk, era muito importante saber que o Pastor Evans não se preocupava com quem ele era. “Se eu não chegasse na hora, tinha de me sentar onde todos se sentavam, não poderia escolher lugar. Eu ficava furioso com isso. Mas havia uma coisa que me atraía para lá, e eu orava para ser liberto. Uma noite liguei para ele e disse: ‘Preciso de ajuda. Tenho um problema’”.

Pastor Evans: “Como a área sexual define os homens, e é acessível a eles, é facilmente atingida depois de um certo ponto. Isso tem a ver com quem você é, torna-o um homem de verdade – todas essas definições errôneas. Mas quando podemos esclarecer a identidade de uma pessoa em Cristo e ajudá-la a entender como orar em espírito, ela passa a entender que a lei do espírito é maior que a da carne”.

Kirk contou ao Pastor Evans tudo. Isso o ajudou a ser honesto com as pessoas importantes de sua vida. Assim começou a viagem de sua cura com a Tammy. “Agora eu estou limpo há quatro anos. Há um processo para essa libertação e, se eu fui liberto, qualquer um pode. Durante anos eu nunca perguntei se podia ser liberto da pornografia. Eu estava gravando álbuns em que Deus falava com as pessoas que eram abençoadas por Ele. A música “Why we sing” foi lançada em 1993 e eu estava me debatendo com a pornografia. Através daqueles álbuns Deus estava falando e todas as pessoas estavam conseguindo vitórias, caminhando, vivendo, exceto eu. Eu costumava perguntar e queria saber o que estava acontecendo. O que pode ajudar as pessoas é que minha vitória não veio por experiência emocional, mas pela verdade. A verdade me libertou”, finaliza.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O Reencontro da Esperança.

No ano em que eu nasci, 1977, a Ditadura Militar há muito já dava sinais de cansaço. Nos bastidores do Palácio do Planalto e da Escola Superior de Guerra era costurada a distensão do regime. Distensão lenta, gradual e segura, como foi conhecida. Um regime que não deveria nem ter existido ensaiava o seu melancólico adeus.

É lamentável o que os militares fizeram com esse país. A dor aumenta quando pensamos na intensa violação dos direitos humanos cometida nessa época. Crimes cometidos em nome da ditadura e crimes cometidos pelos grupos armados que lutaram contra a ditadura. A violência não se justifica de forma alguma. Por isso, me emocionei quando assisti a reportagem "O Grande Reencontro", feita pelo repórter Geneton Morais Neto para o Fantástico, tratando de um crime que aconteceu há 40 anos. 

Louvado seja Deus pelo restabelecimento do estado de direito nesse país. Ainda somos umas das nações mais injustas desse planeta. A desigualdade brutal na distribuição das riquezas produzidas pelo nosso povo é vergonhosa. Apesar disso, temos o direito de manifestar a nossa contrariedade e fazer o nosso protesto. Só não o fazemos por causa da apatia, comodismo e desesperança que assola a alma do brasileiro miserável. Desesperança causada pela falta de perspectivas de melhora. 

Assista ao vídeo e renove a sua esperança, assim como tive renovada a minha. Esperança de que, em meio ao caos e a barbárie, coisas boas ainda acontecem. Por isso, não desista.

(clique o título do post e assista ao vídeo no site do Fantástico).

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Agentes de Deus na promoção do Reino.

    ”O mundo se divide em três grupos de pessoas: os otimistas ingênuos, os pessimistas frustrados e os realistas engajados”. Esta frase é parte da conclusão de um artigo de Ed René Kivitz, pastor da Igreja Batista da Água Branca, publicado no site Galilea (www.galilea.com.br). Ele encerra o artigo dizendo que espera somar entre os que estão de mangas arregaçadas, ou seja, entre os realistas engajados. Esta também é a minha esperança. No entanto, sinto que estou mais próximo do grupo dos pessimistas frustrados.

    É triste perceber que, entra ano e sai ano, as coisas só pioram. O ser humano está cada vez mais egoísta, grosseiro, odioso, violento e corrupto. Está cada vez mais inclinado para a prática do mal. Ficamos cada vez menos solidários, bondosos, fraternos, gentis, pacíficos, honestos e amorosos. Você duvida desta afirmação? Então observe o que está acontecendo em nosso país nesta época de eleições. Campanhas políticas baseadas na troca de acusações, xingamentos e, em muitos casos, agressões físicas e assassinatos. Aliás, isso nos mostra que campanhas de baixo nível, com troca de acusações e xingamentos não são exclusividade da política cajatiense, infelizmente. As propostas de melhorias na administração pública cedem lugar a baixaria e conceitos como civilidade e boa educação são engolidos pela barbárie. É um “salve-se quem puder”.

    Diante desse quadro desolador, qual deve ser o posicionamento do servo de Cristo? Sim, porque precisamos nos posicionar! Neutralidade não é coisa de crente. Não creio que possamos ficar quietinhos esperando a volta de Jesus enquanto o mundo caminha para a destruição. Cristo nos resgatou da nossa vã maneira de viver (I Pedro 1.18) para que sejamos um sinal do Reino de Deus em meio a essa sociedade corrompida. Para isso, é importante atentarmos para as palavras do nosso Mestre escritas em Mateus 6.33: Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas”.

    O texto acima nos mostra como precisamos nos posicionar, isto é, como promotores do Reino e da vontade de Deus. E esse posicionamento está relacionado não apenas a questões cívicas, mas a todas as questões que envolvem a nossa existência (I Coríntios 10.31). O cristão deve ser um agente do Reino de Deus. Isso significa que a nossa vida precisa glorificar o nome do nosso Pai Eterno. A única forma de promovermos o Reino é promovendo a glória do Rei.

     Cada vez que participamos dos processos de transformações sociais levando em conta a glorificação do nome do nosso Deus, promovemos o Reino. Quando cumprimos o nosso papel como cidadãos o nome do Pai é bendito através das nossas ações. Isso é promover o Reino. Quando nos comprometemos com causas que tenham por objetivo a defesa e/ou a restauração da dignidade humana, promovemos o Reino. Quando nos associamos com pessoas e organizações que trabalham para o bem comum, o Reino é promovido. Quando incentivamos a doação, a solidariedade, o voluntariado, a paz e o amor entre as pessoas, o nome do Senhor é glorificado em nós e, mais uma vez, o Reino é promovido. Quando denunciamos abusos, maus tratos, corrupção, violência ou qualquer outra prática que atente contra a vida, Jesus é percebido em nós. Enfim, existem muitas formas de priorizarmos o Reino (buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça). Uma não é mais importante que a outra e todas elas são complementares. Independentemente de sermos otimistas ingênuos, pessimistas frustrados ou realistas engajados, a realidade é que a neutralidade e a inércia não são opções ou imperativos para nós. Portanto, mexa-se!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Visão Mundial



*Clique no título deste post e saiba mais sobre a Visão Mundial e sobre como esta organização está fazendo a diferença na vida de milhões de pessoas no Brasil e no mundo em nome de Jesus e do Seu Reino.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

sábado, 13 de setembro de 2008

“Deus é pobre!”

(Caixa de Ressonância: reproduzo na íntegra matéria publicada Revista Ultimato, assinada por Klênia Fassoni e Lissânder Dias. Para ler a matéria no site da revista, clique no título do post) 

Cerca de 190 pessoas participaram do 3º Encontro Nacional da Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS), de 21 a 23 de agosto, em Curitiba, PR. O encontro reuniu pela terceira vez cristãos envolvidos com ação social em vários lugares do Brasil e celebrou os cinco anos de formalização da RENAS. 

Com o tema “Ouvindo o Coração de Deus para com o Pobre”, o encontro considerou o legado de Jesus Cristo em seu relacionamento com os pobres e discutiu questões como pobreza, desenvolvimento comunitário, injustiça social e políticas públicas para a assistência social. Doze redes evangélicas e sessenta instituições sociais de onze estados brasileiros estiveram presentes. 

Opção preferencial de Deus
As reflexões bíblicas sobre o tema do encontro foram feitas por Ariovaldo Ramos, Valdir Steuernagel e Marcos Monteiro. 

Ariovaldo Ramos, pastor da Igreja Reformada de São Paulo, falou a partir do diálogo entre Jesus e o jovem rico, registrado em Marcos 10.17-25, destacando o lugar que Jesus deu ao pobre no reino de Deus: “Deus não trabalha para os pobres, nem por eles pobres, nem com eles. Deus é pobre”. 

Valdir Steuernagel, pastor luterano, lembrou da importância de colocarmos nossos ouvidos em sintonia com o coração de Deus. “Deus tem coração ou tem só palavra? Deus é muito mais que conhecimento. Precisamos ouvir o palpitar do coração de Deus. Este é o centro da fé: o Deus que procuro servir é o Deus que me alcançou, que veio, encarnou-se, tornou-se pobre, tornou-se fraco, morreu na cruz”. 

Valdir comentou também a chamada “opção preferencial de Deus pelos pobres”: “Quando ouvi isso pela primeira vez não concordei. Hoje, eu entendo que a natureza de Deus é acolher o que está perdido. O ouvido de Deus é como o ouvido da mãe que acolhe preferencialmente o filho mais necessitado”. 

Marcos Monteiro, autor de Um Jumentinho na Avenida (Editora Ultimato), que recebeu o Prêmio Areté de Literatura 2008 (categoria “Evangelização”), falou sobre o que chamou de “a voz misteriosa e inusitada de Deus”. Assim como nos primeiros capítulos de Mateus, Deus fala por meio das mulheres (Maria e as outras três mulheres de vida “suspeita” citadas na genealogia de Jesus), dos estrangeiros (os magos), dos sonhos quando nossas instituições já não falam (sonho de José), dos profetas na contramão (João Batista) e da criação de Deus (estrela), Deus continua falando “fora dos canais oficiais, e pessoas inesperadas podem estar mais próximas da voz de Deus”. 

Experiências na pobreza 
Na plenária do último dia do encontro, foram apresentadas experiências de missão integral e desenvolvimento comunitário em contextos de pobreza. Essas experiências foram compartilhadas por Viv Grigg, diretor internacional da Urban Leadership, Mauricio Cunha, diretor do Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral (CADI) e Analzira Nascimento, da Igreja Batista de Água Branca, SP. 

Viv apresentou uma proposta de curso de mestrado com base na sua experiência com os pobres. Segundo ele, “a tarefa dos seminários não deve ser apenas acadêmica, mas sim transmitir a sabedoria de Cristo. E ele ensinou no meio dos pobres, viveu entre eles e se tornou um deles”. 

Analzira contou sua experiência como missionária e enfermeira durante a guerra em Angola: “Eu me tornei conhecida em Angola como a enfermeira que ficou. A ONU foi embora, e eu fiquei. A partir daí, ganhei o coração do povo de lá”. Mauricio Cunha trouxe uma reflexão sobre os conceitos bíblicos para a palavra compaixão: “Deus é o Deus da compaixão. Não tem como viver com esse Deus e não viver a compaixão. Compaixão bíblica não é dó. Ela sempre vai levar a uma ação. Deus expressa entre os pobres quem ele é”. 

Santa Ceia 
O 3º Encontro Nacional da RENAS foi encerrado com a cerimônia da Santa Ceia, ministrada por cinco pastores convidados. A reflexão bíblica em torno da mesa com o pão e o vinho valorizou o sentido comunitário da cerimônia. 

O pastor Werner Fuchs chamou a atenção para a importância da penitência e da oportunidade do perdão: “Às vezes, queremos achar várias soluções para nossas igrejas, mas está faltando a penitência. Temos de pedir perdão juntos por nossa igreja, pois fazemos parte dela”. Ele lembrou a reação do profeta Isaías quando Deus o chamou. “Ai de mim, porque sou homem pecador e membro de um povo pecador” (Is 6.5). 

Os cálices com vinho e o pão foram distribuídos por pessoas que ajudaram na organização do evento. Estes, por sua vez, foram servidos pelos pastores ministrantes. Divididos em duplas, todos oraram, comeram e beberam da Ceia do Senhor. 

Além das atividades formais do programa, houve os “encontros no Encontro”, que foram momentos privilegiados para compartilhar experiências, encorajar e estabelecer novos contatos. Com os corações compungidos e desafiados, os participantes deixaram o evento convictos de que são parte de uma grande rede que -- inspirada em um Deus que fez aliança com o pobre -- busca a justiça e crê que é possível lutar por um mundo melhor para os pobres. 

RENAS publica o seu primeiro livro 
Durante o 3º Encontro Nacional da RENAS foi lançado o livro Jardim da Cooperação; evangelho, redes sociais e economia solidária, com a presença de sete dos 21 autores. O livro foi publicado pela Editora Ultimato e RENAS, com o apoio da Visão Mundial. 

Quantos somos, onde estamos, o que fazemos 
As iniciativas de intervenção social de evangélicos representam hoje uma contribuição considerável para a sociedade brasileira. 

O Mapa de Ação Social Evangélica (MASE) é uma iniciativa da RENAS e tem o objetivo de fazer um levantamento de todas as ações realizadas por evangélicos na área social. Visite o site www.renas.org.br e inclua seu projeto ou organização.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Professor tem até sábado para abandonar o cristianismo.

  

No dia 8 de setembro, policiais do distrito de Phonthong informaram Khambarn, um professor público que se converteu ao cristianismo, de que ele violara as leis do país ao fazer contato com cristãos de outras cidades e ao decidir converter-se. 

Ele foi obrigado a se entregar à polícia da região de Sangdaeng, próximo à capital da província, e se submeter a um programa re-educacional para criminosos, de cinco dias de duração. 

A polícia mantém Khambarn em um templo budista, junto a mais cem criminosos, acusados de tráfico de drogas e outros crimes sérios. 

Se, depois do período de re-educação, Khambarn renunciar ao cristianismo – que é considerado uma religião estrangeira pelo governo do Laos – ele poderá reassumir seu emprego na escola pública. 

No entanto, se não renunciar, ele poderá ser entregue à polícia de Phonthong e sentenciado à prisão. 

Enquanto detido pela polícia de Sangdaeng, Khambarn conheceu um convertido chamado Pun. Ele havia sido preso pelo mesmo crime de Khambarn: decidir praticar sua fé cristã. 

O Artigo 30 da Constituição do Laos (de 1991) afirma que “Cidadãos laosianos têm o direito e a liberdade de adotar uma religião ou não”. 

Pedidos de oração 

• Interceda por Khambarn. Se o período da reeducação for mantido, neste sábado ele terá de professar sua decisão de continuar cristão ou não. Peça a Deus para manter esse irmão firme em sua fé, por mais difícil que isso pareça ser. 

• Peça a Deus para intervir de forma milagrosa nesse caso, abrindo portas para Khambarn e também para Pun. 

• Ore pelo Laos – pelo povo e por seus líderes. Que cumpram com as leis que sua própria Constituição prescreve. E que seus olhos sejam abertos para a salvação de Jesus Cristo.


Tradução: Daila Fanny 


Fonte: Christian Monitor

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O Analfabeto Político.


O Analfabeto Político
Berthold Brecht

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

Ah, esse Edi...




(divirta-se com outras tirinhas do Edi clicando no título do post)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O CONSELHEIRO, O CÚMPLICE E O CRÍTICO.

    As pessoas mais hábeis e competentes emocionalmente são mais felizes! Isto porque sua inteligência emocional faz com que elas desenvolvam relações de maior qualidade do que aquelas pessoas emocionalmente insensatas. Ora, se a felicidade é uma conseqüência da nossa qualidade de vida (e não do padrão de vida como, nos quer incutir a sociedade consumista), e se a qualidade da nossa vida está associada à qualidade das nossas relações, não é difícil concluir o que está posto na primeira frase deste texto.

    Das muitas habilidades que uma pessoa emocionalmente inteligente tem, eu destacaria uma: a capacidade de perceber a diferença entre o conselheiro, o cúmplice e o crítico.

    O conselheiro é aquele a quem recorremos em busca de direção para tomadas de decisões, discernimento de direções, esclarecimento de momentos obscuros, enfim, alguém que conquistou em nosso coração autoridade testada por sua sabedoria a ponto de o escolhermos para compartilhar da sua luz quando estamos necessitando de iluminação nas muitas esquinas sombrias que a vida nos reserva. Portanto, o conselheiro é alguém a quem elegemos para estar perto de nós e por quem, via de regra, nutrimos afeto por saber que suas palavras efetivamente agregam valor.

     O cúmplice é aquele que ‘mete a mão na massa’ juntamente conosco. O cúmplice não é necessariamente um conselheiro, mas alguém, que mesmo em silêncio, se põe ao nosso lado e nos ajuda a desatar os nós que sozinhos não seríamos capazes, a construir e destruir realidades que nunca poderíamos dar conta se tivéssemos somente as nossas forças. O cúmplice é, igualmente, alguém por quem construímos profundo afeto e gratidão, pois se não fosse sua preciosa ajuda não teríamos chegado lá. Quando o cúmplice também se torna um conselheiro, então, temos o privilégio de ter ao nosso lado uma pessoa com quem realmente vale a pena trilhar a jornada da vida.  

     O crítico é aquele que não é nem conselheiro e nem cúmplice, é apenas um expectador rigoroso do nosso comportamento (para não dizer um observador dos nossos fracassos). É alguém que se deleita em apontar, pelo puro prazer de apontar, nossas deficiências e incapacidades. Se o conselheiro é um convidado a dar sua opinião, o crítico não precisa de convite, pois com sua desenvoltura julgadora e às vezes agressiva, emite suas críticas sem que alguém tenha lhe pedido. O crítico não se torna um cúmplice, pois o seu prazer não está em ajudar a consertar o que está errado e sim em criticar o que se está sendo feito. Por força da sua obsessão o crítico tem que achar um senão, um errinho, um pontinho escuro, um detalhe, algo que ele possa transformar numa plataforma para realizar sua performance arrogante. O conselheiro e o cúmplice cativam nosso afeto. O crítico, ao contrário, desperta em nós alguns sentimentos muito ruins: insegurança, pois quando somos alvos de repetidas críticas nos tornamos inseguros mesmo naquilo que normalmente temos segurança; uma revolta alimentada por uma raiva contida, especialmente se o crítico é um superior nosso no ambiente de trabalho, detêm o poder dentro de uma relação familiar e etc.; distanciamento, posto que os críticos passam pela nossa vida sem deixar atrás de si algo que agregue valor, e por isso tendem a criar em nós o desejo de nos afastarmos deles!

     Mas esperemos um momento: e a crítica construtiva, onde entra nesta história? Há uma diferença significativa entre um conselho e uma crítica. Antes de explicitar tal diferença, aviso: aquilo que se chama crítica construtiva, eu chamo de conselho. Uma crítica somente é construtiva quando não somente aponta e analisa o que está errado, mas propõe soluções. Pois, que vantagem há em apenas flagrar o erro e não ajudar a construir o acerto? Ora, se nos apontam o erro e nós mesmos achamos o caminho, em que aquela crítica foi construtiva? Em dizer apenas o que estava faltando? Na maioria das vezes, o que nos falta não é consciência dos nossos erros e limitações, mas luz para encontrar os caminhos de superação.

      Analisadas essas diferenças, fica óbvio que uma pessoa inteligente emocionalmente é aquela que vai deixando de ser crítica e se tornando cada vez mais uma conselheira, e quando houver necessidade, uma cúmplice. Tais posturas nos colocam a favor da construção da vida e não da destruição, pois produzem mais felicidade pessoal, profissional, familiar e afetiva. E aí, diante disso, o que vamos ser?

 Pr. Eduardo Rosa Pedreira, Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca (dê um click no título do post e conheça mais sobre o autor e leia outros textos dele).

sábado, 6 de setembro de 2008

Catedral inglesa quer abrir bar de vinhos para atrair fiéis

 
(BBC) A Catedral de Birmingham, no norte da Inglaterra, está planejando abrir um bar de vinhos para tentar atrair fiéis. O projeto é do recém contratado diretor de eventos da paróquia, Mark Hope-Urwin, que abandonou o cargo de executivo na famosa loja de departamentos inglesa John Lewis para trabalhar com a catedral. Mark diz que a idéia de abrir um bar de vinhos faz parte de um processo maior que pretende atrair mais fiéis para a igreja e seria também uma forma de arrecadar fundos para a paróquia. Leia mais emAgência BBC.

* Se essa idéia pega aqui no Brasil, teremos o Butiquim Gospel. A diferença é que aqui os féis poderão degustar uma entre as seguintes opções: 51, Velho Barreiro, Pitú, Caninha da Roça, Caninha Dona Encrenca, etc. Ou todas as opções, misturadas com limão. rsrs 

* comentário meu.

“No country for old men”

Dei a este texto o título em inglês de propósito. Quero comentar o filme “Onde os Fracos Não Têm Vez”, ganhador do Oscar 2008, produzido pelos irmãos Coen. Como não gostei da tradução, preferi o título original, que descreve melhor a trama dessa produção americana. 

Confesso que não gostei quando assisti ao filme. Saí do cinema com a sensação de que vira mais uma apologia de violência, parecida com tantas outras produções hollywoodianas, exageradas nas cenas explícitas de morte e de vingança. Porém, com o passar do tempo, quanto mais medito no filme, mais percebo sua mensagem metafórica. 

O enredo é simples. Um acerto de contas entre traficantes num canto escondido do Texas promove uma chacina em que todos morrem. Pela mala de dólares que sobrou, começa uma nova caça de gatos e ratos, envolvendo polícia, traficantes, mexicanos e pessoas comuns. Um xerife prestes a se aposentar, portanto, um “old man”, se vê obrigado a trabalhar no caso, mas seu cansaço é notório. Sem pique diante da maldade, o xerife se revela uma figura tão amargurada que em determinado momento desabafa: “Eu sempre achei que quando ficasse velho Deus entraria em minha vida de alguma forma. Mas ele não o fez. Eu não o culpo. Se eu fosse ele teria a mesma opinião sobre mim que ele tem”. O xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) simplesmente não tem mais forças para enfrentar a maldade que se mostra encarnada, renitente, perene. 

Lembrei-me de que o xerife do filme representa todos os que lutam pelo bem e se sentem impotentes diante do avanço da maldade. A luta da polícia, dos investigadores, dos promotores é sem fim. Todo instante alguém tenta fazer o mal. Parece inesgotável a capacidade humana de inventar, imaginar, perversidades.  Pedófilos se multiplicam e usam a internet para seduzir crianças. Traficantes se organizam em cartéis. Servidores públicos desviam verbas destinadas à compra de ambulâncias e merenda escolar. Recentemente, o mundo se horrorizou com um pai que por décadas escravizou e abusou sexualmente da própria filha. 

As organizações que advogam o direito das crianças, os ecologistas que defendem o meio ambiente, os juízes, os filantropos, os políticos do bem e o clero, semelhantes ao xerife, por mais que batalhem, acabam com a sensação de nunca terem sucesso algum. 

Quase diariamente lido com pastores evangélicos esgotados. A luta deles também parece inglória e seus esforços, pífios. Diante da avalanche de maldade que se avoluma, com recursos financeiros minguados e com dificuldade para mobilizar as pessoas para o trabalho voluntário, eles se unem aos outros que se sentem deprimidos. 

Não me atrevo, de forma simplista, a resolver esses dilemas. Minha intuição, entretanto, me diz que há caminhos alternativos que podem suavizar a desesperança que se espalhou. 

É possível abandonar a lógica dos grandes projetos, das megalomanias, dos messianismos. As antigas propostas globais de mudança precisam ser redimensionadas para pequenas iniciativas. Antes de querer mudar o planeta, devemos cuidar dos quintais. Para enfrentar o aquecimento global, precisamos mudar hábitos cotidianos, como poupar água com banhos rápidos, não abusar do automóvel e, sempre que possível, usar transporte público e até bicicleta. Na política, participar dos conselhos de bairro, envolver-se no chamado terceiro setor e nas pequenas ações de desenvolvimento comunitário. 

Há uma historinha interessante, bastante conhecida. Um homem caminhava e ao mesmo tempo devolvia para o mar peixes que a maré baixa deixara agonizando na praia. Alguém o repreendeu ao afirmar que seu esforço era inútil e tolo; não faria a menor diferença salvar tão poucos peixes. Ao que respondeu: “Realmente; mas para os que se salvaram fiz toda a diferença do mundo”. Oskar Schindler não acabou com o holocausto, mas fez toda a diferença para aqueles que resgatou dos fornos crematórios; Martin Luther King não viu o fim do racismo, mas deu dignidade para os que se inspiraram em sua vida e morte; Madre Teresa de Calcutá não resolveu a miséria da Índia, mas todos que morreram em sua clínica se sentiram amados. 

O antídoto para o desânimo pós-moderno é concentrar os esforços nas pessoas e não nos empreendimentos. Os projetos devem servir homens e mulheres, nunca o contrário. As pessoas não podem ser consumidas no fortalecimento das instituições. No caso das igrejas, nenhuma programação, nenhum evento, podem tornar-se um fim em si mesmos. Eles estão a serviço dos indivíduos e só adquirem sentido quando promovem a vida. 

Jesus de Nazaré amou pessoas, viveu numa pequena vila e não diluiu seus esforços com megaeventos. Ele se deu integralmente a doze homens, acolheu os excluídos e nunca se impressionou com o aceno do estrelato. Sua morte transformou-se no mais contundente triunfo. Assim, antes de terminarmos os dias desiludidos, cínicos, sem alma; antes de nos sentirmos derrotados pelo constante avanço da maldade e onipresente perversidade humana, todos precisamos aprender a nos contentar com atos singelos, com iniciativas despretensiosas, com feitos simples.

Soli Deo Gloria. 

Ricardo Gondim é pastor da Igreja Assembléia de Deus Betesda, em São Paulo (clique no título do post e visite o site dele).

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Qual é a sua verdadeira idade?

Este relógio é o sonho de todos aqueles que têm o mesmo desejo que Moisés expressou no Salmo 90.12, pois nos permite saber qual é a nossa idade real. Basta informar a sua data de nascimento para saber, por exemplo, quantos anos você tem usando como padrão de contagem o ciclo completo da Lua. É um negócio doido. Eu descobri que tenho vinte e sete anos e, não trinta, se for levar em conta o cálculo pelo ciclo lunar. Fiquei mais novo. Hehe! Também descobri que teria apenas dezesseis anos caso fosse um marciano. rsrs. Divirta-se com essa maluquice.


Poodwaddle.com

domingo, 31 de agosto de 2008

Procura-se um cajado!

O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E, de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu... Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos vários verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem,
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito.

Fernando Pessoa - O Pastor Amoroso

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Free at last! Free at last!

Esta é uma homenagem muito simples que senti vontade de fazer ao Rev. Martin Luther King Jr. Nesta semana comemora-se o aniversário de quarenta e cinco anos do memorável discurso "I Have A Dream". Não deixe de assistir ao vídeo legendado do referido discurso no final do post. O texto abaixo é um trecho do artigo "A falta que fazem os profetas", do Pr. Ricardo Gondim, publicado na Revista Ultimato e em seu site (leia a íntegra do texto clicando no título do post).

(...)

O movimento evangélico brasileiro necessita de homens como Martin Luther King Jr, um dos mais autênticos profetas do século XX. Sua vida, tantos anos depois de sua morte, continua impressionando pela coerência, bravura e profundo compromisso com os valores do reino de Deus.

Li sua autobiografia e confesso que senti o meu coração desafiado por esse homem que viveu, falou e lutou como um profeta para os americanos mas cuja vida inspira todas as nações.

Ele nasceu em 15 de janeiro de 1929 em Atlanta, Geórgia, foi ordenado como pastor batista em 25 de janeiro de 1948. Decidiu que jamais se curvaria às leis segregacionais do sul dos Estados Unidos quando assumiu a igreja que seu pai pastoreava, a Dexter Avenue Church em Montgomery, Alabama.

Nesta cidade aconteceu o grande boicote às companhias de ônibus. Rosa Parks, uma costureira de quarenta e dois anos, recusou-se ceder seu lugar dentro de um ônibus a um homem mais jovem que ela e foi presa. Um movimento se organizou na cidade e King Jr foi eleito por unanimidade o seu presidente. Depois de várias vezes preso, de sofrer atentados como uma bomba que foi jogada no alpendre de sua casa em 27 de janeiro de 1957, ele passou um mês na Índia, aprendendo os princípios de não-violência usados por Ghandi, na resistência ao imperialismo Britânico. Aplicou-os nos Estados Unidos e conseguiu vencer a tirania e o ódio com amor.

Em 28 de agosto de 1963, King Jr subiu os degraus do Memorial de Lincoln para fazer o seu mais famoso discurso, I Have a Dream (veja o vídeo neste post) . Sua voz ecoava por todo o mundo enquanto a paixão de um profeta se derramou por seu povo. Era o coração de Deus que pedia que os homens não fossem julgados pela cor de sua pele, mas pelos conteúdos do caráter. Sua vida impressionou tanto que em 10 de dezembro de 1964, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Lendo-o, juntei alguns de seus pensamentos, reproduzo-os aqui para que notemos a falta que os profetas fazem.

Homens e mulheres vivendo em comunidade.

“Quando o indivíduo não é mais um verdadeiro participante e não percebe sua responsabilidade para com sua sociedade, os conteúdos da democracia se esvaziam. Quando a cultura se degrada e a vulgaridade é entronizada; quando o sistema social não constrói segurança, mas induz o medo, inexoravelmente o indivíduo é impelido a se isolar completamente desta sociedade sem alma. Este é o processo que produz alienação – talvez a mais insidiosa característica da sociedade contemporânea.”

A grandeza dos ideais:

“A medida de um homem não se ele afirma em tempos de conforto e conveniência, mas repousa nos seus posicionamentos em tempos de desafios e controvérsias.”.

“A coragem encara o medo e, portanto, dele se assenhora. A covardia reprime o medo, e portanto, dele se torna escrava. Homens corajosos nunca perdem o elã pela vida mesmo que a situação que vivam seja sem brilho; covardemente, homens esmagados pelas incertezas da vida perdem o desejo de viver. Devemos constantemente erguer diques de coragem para deter as inundações do medo.”

O próximo:

“A maioria daqueles que vivem na América rica ignora os que vivem na América pobre; ao fazerem isso, os ricos americanos terão que eventualmente enfrentar a pergunta que Eichmann preferiu ignorar: Qual a minha responsabilidade pelo bem estar do meu próximo? Ignorar o mal é tornar-se cúmplice dele. “

Deus e religião


“ A ciência investiga; a religião interpreta. A ciência fornece o conhecimento que dá poder; a religião fornece a sabedoria que dá controle. A ciência lida com os fatos, a religião lida primordialmente com os valores. As duas não são rivais. Elas se complementam. A ciência ajuda a religião a não cair no vale paralisante da irracionalidade e do obscurantismo. A religião previne a ciência de despencar no pântano do materialismo obsoleto e do niilismo moral.”

Em 4 de abril de 1968 uma bala assassina silenciou esse profeta de Deus. Contudo, sua vida continua inspirando milhões de homens e mulheres. Martin Luther King, Jr, não pode ser esquecido da geração evangélica deste novo milênio.

Que ele nos inspire a desejar mais profetas na igreja. Precisamos de homens e mulheres que não nos deixem acostumados com a ordem natural das coisas. Gente, cuja voz troveje ira contra a iniqüidade e a injustiça, mas nunca falem sem a ternura de Deus. Que o mote de Luther King Jr - I have a dream - ecoe entre as paredes das igrejas, para que nunca deixemos de sonhar em tempos de imediatismos.

Jesus mandou que orássemos pedindo mais obreiros para a sua seara. Minha prece é que ele mande mais profetas.

Soli Deo Gloria.

video

Deus existe? A banana diz que SIM!



Uma colcha de retalhos. Esta é a melhor definição que consegui para este blog. Não sei se é uma colcha bonita ou feia. Se é curta ou comprida. Se é fina ou grossa. Agora, de uma coisa eu tenho certeza - ela é bem colorida. Esta é a minha intenção, pelo menos. Senão, veja: um professor de Curitiba, com uma perspicácia fenomenal, desenvolveu uma das melhores argumentações acerca da existência de Deus usando - pasmem! - uma simples banana. Clique no título deste post e confira. É fantástico o que ele faz. Por essas e por outras é que 'A Pedra da Esquina' está se tornando uma colcha de retalhos bem colorida. SexxxChurch e Pavablog estão aí pra confirmar isso. Diversidade, inteligência e missão integral. Perfect!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A Fabulosa Bíblia dos Gatos




Olha só que negócio doido! Dê um clique no título do post e você vai para A Bacia das Almas. Eu ri muito, com a consciência pesada, é verdade.

Igreja. Sinal do Reino.

Uma reflexão dos principais conteúdos da fé cristã a partir do Movimento Evangelical - Missão Integral.

Resgatada em 1974 no Congresso Internacional de Evangelização, realizado em Lausanne, Suiça, promovido pela Associação Billy Graham, e reunindo mais de 10.000 cristãos oriundos de 150 nações, a Teologia Evangelical - Missão Integral - oferece uma lente através da qual lemos as Escrituras Sagradas em busca de referenciais para a presença do cristão/comunidade cristã no mundo: "Assim como o Pai me enviou ao mundo, também eu vos envio".

Os principais conteúdos da fé cristã são articulados pela Teologia Integral a partir da consciência da necessidade de levar em consideração o ser humano e suas circunstâncias, e no fato de que, sendo certo que a fé nos remete ao eterno e sagrado, uma fé que não se impõe no histórico e secular é estéril e sem sintonia com o mundo contemporâneo.

Por estas razões, a Teologia Integral desenvolve conceitos chaves, como: salvação, igreja - natureza e missão, antropologia, proclamação da fé, e, principalmente, reino de Deus. Vejamos um por vez.

O Reino de Deus é o domínio soberano de Deus, que entrou na história na pessoa de Jesus, com a finalidade de sobrepujar o mal, libertar o homem de seu poder e possibilitar sua participação nas bênçãos inerentes ao governo de Deus sobre todo o universo desde agora e para toda a eternidade.

A soteriologia da missão integral é o domínio de Deus, de direito e de fato, sobre todo o universo criado, através daqueles restaurados à imagem de Jesus Cristo, o primogênito dentre muitos irmãos. A salvação é o Reino de Deus em plenitude, onde a vontade de Deus é realizada - concretizada em perfeição. A redenção pessoal/individual é a apenas uma parcela do que o Novo Testamento chama salvação: o novo céu e a nova terra.

A eclesiologia da missão integral é o novo homem coletivo. Deus não está salvando pessoas, está restaurando a raça humana. Estar em Cristo é não apenas ser nova criatura, mas também e principalmente ser nova humanidade - não mais descendência de Adão, mas de Cristo, o novo homem - homem novo. O caos do universo é fruto da rebeldia da raça humana em relação ao Deus Criador; a redenção do universo - fazer convergir todas as coisas em Cristo - é resultado da reconciliação da raça humana com Deus - Deus estava em Cristo reconciliando consigo a humanidade. No Cristianismo, a salvação é pessoal, a peregrinação espiritual é comunitária, e nada, absolutamente nada, é individual. A igreja é a unidade dos redimidos que são transformados de glória em glória, pelo Espírito Santo, até que todos cheguem juntos à estatura de varão perfeito.

A missiologia da missão integral é a sinalização histórica do Reino de Deus, que será consumado na eternidade. A igreja, o corpo de Cristo, é o instrumento prioritário através do qual Cristo, o cabeça, exerce seu domínio sobre todas as coisas, no céu, na terra e debaixo da terra, não apenas neste século, mas também no vindouro. A missão da igreja é manifestar aqui e agora a maior densidade possível do Reino de Deus que será consumado ali e além. O convite ao relacionamento pessoal com Deus é apenas uma parcela da missão. A missão integral implica a ação para que Cristo seja Senhor sobre tudo, todos, em todas as dimensões da existência humana.

A antropologia da missão integral é a unidade indivisível do "pó da terra/fôlego da vida", as dimensões física e espiritual do ser humano. "Corpo sem alma é defunto; alma sem corpo é fantasma"; "Cristo veio não só a alma do mal salvar, também o corpo ressuscitar". A ação missiológica e pastoral da igreja afeta a pessoa humana em todas as suas dimensões: bio-psíco-espiritual-social - a pessoa inteira em seu contexto - o homem e suas circunstâncias.

O kerigma, evangelização, na missão integral é a proclamação de que Jesus Cristo é o Senhor, seguida da convocação ao arrependimento e à fé, para acesso ao Reino de Deus. A oferta de perdão para os pecados pessoais é o início da peregrinação espiritual, porta de entrada para o relacionamento de submissão radical a Jesus Cristo, a partir do que a pessoa humana e tudo quanto ela produz, passam a servir aos interesses do reino de Deus, existindo e funcionando em alinhamento ao caráter perfeito de Deus.

Ed René Kivitz (clique no título do post e leia mais artigos deste autor que, aliás, são todos excelentes e dignos de consideração e reflexão sérias. Vai por mim).

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Breve Dicionário Neo-evangélico

Clique no título do post para ler postagem original no blog Rapensando

- Crer absolutamente naquilo que o pastor/apóstolo diga.

Amor - Atender o chamado do líder de louvor e dizer para a pessoa ao seu lado: "Eu te amo em Cristo Jesus".

Promessa - Carro, casa, dinheiro.

Evangelismo - Mandar alguém ir à igreja.

Adorar - Chorar durante horas cantando algum tipo de música lenta e repetitiva.

Fidelidade - Qualidade mostrada no ato de dizimar/ofertar mensalmente.

Levita - Pseudo-músico que se acha superior aos demais por cantar/tocar.

Perdão - Ficar fora de comunhão durante um tempo variável de acordo com o pecado.

Comunhão - Não ter ninguém te acusando ou falando a seu respeito.

Profeta - Expert em leitura corporal e oratória.

Deus - O cara responsável por abençoar quando mandado.

Espírito Santo - Ser que faz as pessoas caírem e receberem novas unções.

Jesus - Um cara que fez o oposto do que deve-se fazer.

Inferno - Lugar para onde os que não tem salvação irão.

Diabo - O culpado por tudo de ruim que aconteça.

Esperança - Ser tão rico quando os apóstolos da TV.

Salvação - Alcançada indo à igreja e sendo fiel (vide fidelidade).

Unção - Algo que se recebe para se sentir superior aos outros.

Abençoado - Ser cabeça e não cauda.

Pecado - Infração cometida contra a igreja e variável com a cartilha.

Igreja - Templo luxuoso que exige fidelidade para sua manutenção.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Passam as medalhas, ficam os amigos.

(clique no título do post e veja a entrevista).


Acabei de ver o Bernardinho chorando em uma entrevista para a TV Globo. Fato raro e muito significativo. É um ciclo que se fecha na vida de um time que ganhou quase tudo nestes últimos oito anos. Nunca antes na história desse país (êê, Lula!) um time foi tão vencedor em competições de nível internacional. Isso precisa ser levado em conta e o fato de não ganhar dos norte-americanos não desmerece em nada essa trajetória vitoriosa. Parabéns ao Bernardinho, aos jogadores e a toda comissão técnica.

O que mais me tocou na entrevista foram as seguintes palavras: "as medalhas, eu não sei onde é que eles vão colocar. Certamente, alguns aqui, esquecidos - porque eu conheço! - não vão encontrar as medalhas na bagunça do quarto deles. Mas, certamente, vão saber onde é que está o amigo deles."

Tenho aprendido ao longo da vida (que nem é tão longa assim!) a valorizar pessoas em detrimento de coisas. Na fala do Bernardinho eu percebo essa ênfase. O mundo só está na situação em que está, porque as pessoas julgam que ter é mais importante do que ser. E na ânsia de ter (fruto da depravação estabelecida pelo pecado), vão passando por cima umas das outras sem a menor compaixão. Essa nunca foi a vontade de Deus. A única forma de vermos resgatada em nós a capacidade de valorizar gente ao invés de valorizar coisas e de valorizar o ser ao invés do ter é entregar toda a nossa vida para Jesus. Somente com a mente de Cristo é que poderemos viver essas palavras do Bernardinho. As pedras estão clamando!

Pense nisso.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O convite.

Certa feita, estive em Belo Horizonte participando de um seminário sobre igreja e inclusão social, o que, por si só, já é uma boa notícia. Bem, como era esperado, pouca gente foi, aliás, nem a igreja promotora foi, mas, tudo bem, a iniciativa vale por si só, foi um evento em parceria com a Visão Mundial. É interessante perceber como esse tema atrai tão pouca gente, talvez as pessoas achem que isso é uma atividade extra da igreja e que só os que têm chamado específico devem comparecer. A propósito, uma vez fui interrompido numa aula sobre isso, por um participante, que me perguntou se eu não estava dando trabalho demais para a igreja. Acho que é assim que boa parte da igreja pensa: "a gente já tem de evangelizar, depois discipular, o que, por si só é trabalho para uma vida. E ainda tem de incluir socialmente?"

O que é preciso perceber é que incluir é o papel da igreja por excelência. A pessoa que entrega a vida para o Senhor é incluída no reino de Jesus e na igreja, e isso significa que é incluída numa nova forma de ser gente e de viver como gente e de ser comunidade. A nova forma de ser gente é ser como Jesus, que é gente como gente deve ser, a nova forma viver como gente é viver com dignidade e a nova forma de ser comunidade é viver a comunhão que o amor propicia. E como vive gente que se parece com Jesus? E como é que vive a comunidade que se pauta pela comunhão que o amor propicia? Vive incluindo. Quando os membros da igreja primitiva vendiam o que tinham para ajudar aos necessitados, ou levantavam ofertas para ajudar igrejas que estavam passando por crises nacionais, como fizeram com a igreja em Jerusalém, estavam praticando a inclusão social. Entenderam que os irmãos tinham o mesmo direito à comida, saúde, transporte, trabalho, educação que os mais privilegiados tinham, e repartiram. A vida da igreja é incluir, nós pregamos para incluir, nós deveríamos viver para incluir, portanto, não deveria haver para nós outra forma de discutir e de agir na sociedade senão pela perspectiva da inclusão.

Jesus veio revitalizar o conceito de humanidade, portanto, veio chamar os homens à contramão do individualismo, e quem está na contramão do individualismo está na mão da inclusão social. Portanto, era de se esperar que a igreja se incomodasse com os excluídos, porque nós sabemos que a exclusão é a negação da salvação. A igreja deveria ser o maior movimento de inclusão social jamais visto, o maior movimento de repúdio ao individualismo e ao consumismo, o maior movimento de promoção comunitária e de promoção da dignidade humana. Espero que no próximo encontro tenha mais gente. Você está convidado.

Ariovaldo Ramos (Blogando Graça)

Creia e Ore. A oração tem poder.

Clique no título do post e assista ao testemunho impressionante de Alexander Ogorodnikov, líder cristão russo, que foi perseguido por causa de sua fé em Jesus Cristo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Os mundos de Ketleyn e Phelps.

Michael Phelps e Ketleyn Quadros são atletas dos Jogos Olímpicos de 2008. Ela ganhou uma magra medalha de bronze e ele não aguenta o peso de tanto ouro pendurado no pescoço. Os dois apareceram na primeira página dos principais jornais brasileiros por motivos diferentes. Ele se tornou o nadador mais premiado de todos os tempos e riquissímo porque empresta um sorriso maroto para as multinacionais do esporte. Ela vai voltar para uma casa humilde nos arredores de Brasília. Phelps e Ketleyn vivem realidades e universos distintos.

Ketleyn nasceu em um país desgraçadamente injusto. Sua mãe costurou o seu primeiro kimono com retalho de sacos. Phelps vive em um país onde a escola pública ainda existe. Lá, os campeonatos estudantis são levados a sério, alguns televisionados. Campeões nas High Schools já são celebridades.

A peneira esportiva que Phelps teve que subir tem malhos apertados. Porém, quando terminou os estudos secundários, o "fenômeno" da natação ganhou bolsa de estudos integral para cursar uma universidade com muita verba. Paparicado pelos melhores treinadores, nadou a vida inteira em piscinas maravilhosas. Se precisou corrigir o estilo, tinha à disposição aparelhagem de vídeo de última geração. Nutricionistas ajudaram para que nunca se preocupasse com o que comer. A ascenção de Phelps espelha a cultura do seu país.

A de Ketleyin também. Sua mãe precisou fazer rifa e pedir dinheiro emprestado para poder assistir à filha brilhar em Pequim. Chorou enquanto lembrava do sacrifício de pegar ônibus caindo os pedaços para que Ketleyn entrasse no tatame.

Iguais a ela, muitas mães sofrem o pão que o diabo amassou para que os filhos lutem nos espartanos campeonatos brasileiros de judô.

Rarissimas escolas públicas brasileiras possuem algum complexo esportivo. Quando esporadicamente uma Ketleyn brilha é preciso lembrar que outras milhões nunca escapam da miséria. Mocinhas trabalham durante o dia e se arrastam para aulas sonolentas à noite. Com péssimo rendimento acadêmico, elas se vêem forçadas a aceitar sub-empregos com salário indigno. Cedo engravidam e perpetuam o perverso ciclo de injustiça, que condena este país a cáca que é.

Os nadadores que chegaram em sétimo ou oitavo na natação são oriundos da classe média, treinam em clubes da elite e logo que mostraram talento, emigraram para o exterior em busca de melhores condições. A “mãe gentil” não ajuda. Até os esportes coletivos sobrevivem de clubes ricos e de patrocínio empresarial. Mesmo assim, sobra pouco, o voley talvez.

Gosto muito de esporte, mas não agüento as patriotadas ridículas dos telejornais. Já sinto náusea de imaginar a festa que vão fazer quando o país ganhar uma ou duas suadíssimas medalhas de ouro. Tentarão encobrir a falta de vergonha na cara dos governantes com o mérito de algum solitário herói. O filtro social brasileiro exclui milhões. O maratonista empurrado, mas que ainda assim ganhou um bronze na Olimpíada grega havia sido um boia fria, cortador de cana.

Deus livre o Rio de Janeiro de ser escolhido para sediar qualquer outro evento esportivo internacional. A copa do mundo vai encher as burras das empreiteiras que vão construir elefantes brancos. Os dividendos sociais serão poucos, muito poucos.

Subdesenvolvidos, continuamos maravilhados com o sorriso despretensioso do Michael Phelps e com a algazarra tupiniquim de novos brasileiros com nome esquisito que podem brilhar.

Ricardo Gondim

Soli Deo Gloria.