sábado, 19 de setembro de 2009

Graça Maravilhosa.

   Após vários dias sem postar nada, eu não poderia postar qualquer coisa. É essa a minha preocupação nesse momento, uma vez que este post marca o meu retorno às atividades joelísticas em A Pedra da Esquina.

   Quero, antes de mais nada, agradecer de coração aos queridos irmãos que têm se importado comigo e orado pela minha vida. Desde os de casa, como meus pais, até aqueles que me conhecem apenas virtualmente, fica aqui o registro da minha gratidão.

   O Senhor tem feito com que eu experimente da Sua maravilhosa graça a cada momento. E, na maioria das vezes, o fluir da graça de Deus tem acontecido através de pessoas com as quais tenho tido a honra e o privilégio de me relacionar. Isso inclui amigos/irmãos de perto e amigos/irmãos de longe, tanto no tempo quanto no espaço. Seria injusto citar nomes, mas posso garantir que não são poucos.

   O vídeo abaixo retrata algo que somente Deus pode fazer: transformar vidas. Através do sacrifício de Jesus na cruz do calvário e da Sua ressurreição, o Senhor restaura o pecador perdido e lhe concede a alegria de viver em família, a Sua família. Estamos juntos nessa caminhada, meus irmãos.



 “O Senhor me deu o seu Espírito. Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres e me enviou para anunciar a liberdade aos presos, dar vista aos cegos, libertar os que estão sendo oprimidos e anunciar que chegou o tempo em que o Senhor salvará o seu povo.” (Lucas 4.18 e 19).

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Projeto Amigos de Ministério.

   Eu aceitei o convite e, pela fé, fiz a minha inscrição para participar desse encontro. O Senhor me abençoou concedendo o recurso necessário e logo mais, às 11h30 da manhã, eu embarco no busão para São Paulo. Por conta disso, o blog ficará sem atualizações por alguns dias. Mas você, meu fiel seguidor (3 ou 4, é verdade!), não precisa ficar triste. Consulte o arquivo. Tenho certeza de que encontrará algo que preencherá o seu tempo e abençoará a sua vida.
   Um abração e até a volta, se Deus quiser. 

Zagueiro do evangelismo.

   Zagueiro do evangelismo?! Mas.. que raio é isso?! Será que o Tonhão (ex-zagueiro do Palmeiras) se converteu e agora não consegue mais parar de evangelizar? Seria um desses "becão-perna-de-pau-de-roça" que, depois de tanto  dar carrinho pra rachar o adversário, virou um "evangelista-conferencista-milagreiro-canela-de-fogo"? Acho que é uma mistura dos dois. Assista ao vídeo e tire suas próprias conclusões.


Via Cinema Cristão.

RENAS põe Jesus no centro da luta pela justiça social.


“Jesus é o modelo e a inspiração para todo o ato de justiça e misericórdia”. As palavras de Ronald Sider, o preletor oficial do IV Encontro da Rede Evangélica Nacional de Ação Social, refletem a busca de equilíbrio entre a essência da fé cristã e sua ação no mundo injusto.

Durante 3 dias (27 a 29 de agosto), mais de 350 cristãos evangélicos de diversos lugares do Brasil se reuniram na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro para discutirem o tema “A Igreja de Cristo promovendo a Justiça”. Junto com a reflexão, foi possível experimentar comunhão entre cristãos que não se conheciam, com sotaques diferentes, e fortalecer o trabalho em conjunto das redes sociais existentes.

Em todos os dias, músicos como Josué Rodrigues e Roberto Diamanso cantaram canções com ritmos brasileiros e com letras baseadas no tema do evento. 

1º dia: sofrimento, gênero e preocupação com os pobres
O IV Encontro começou no dia 27 com a meditação bíblica do pastor cearense Carlos Queiroz. Para ele, falar de justiça em um país injusto como o Brasil, é, impreterivelmente, falar de cruz e sofrimento. Lendo o Sermão do Monte, Queiroz afirmou: “Falta de pão na mesa dos nossos irmãos pode ser uma denúncia de que está faltando espiritualidade em nossos templos. A justiça do Sermão do Monte tende a provocar perseguição e retaliação porque mexe com os poderosos, que se acham controladores do Estado, do conhecimento, do tráfico de entorpecentes e outros. Se nós mexermos nessas estruturas o resultado será a cruz”.

A programação continuou com a realização de mini-cursos e oficinas. Arbutus Sider, terapeuta familiar, dirigiu o mini-curso “Gênero e justiça ao redor do mundo”, com duração de dois dias. Ela discorreu sobre as maneiras diferentes de enxergar a questão de gênero nas igrejas e contou várias histórias de mulheres que transformaram seus contextos e conseguiram o respeito da comunidade, da família e da igreja.

À noite, Ronald Sider falou pela primeira vez aos participantes. Com o sermão intitulado “Deus, a Bíblia e a Pobreza”, ele afirmou que a preocupação com os pobres não é apenas para um grupo de pessoas especiais. “De acordo com a Bíblia, Deus e seu povo estão do lado dos pobres. Se somos o povo de Deus, mas não compartilhamos a preocupação pelo pobre, não somos, de fato, povo de Deus”. 

2º dia: profecia, evangelismo, ação social e política
No dia 28, Maurício Cunha, diretor de programas da Visão Mundial, dirigiu a segunda plenária do IV Encontro RENAS. O tema abordado foi “A igreja a serviço do reino”. Para Maurício, a justiça social é uma visão bíblica. Sua palavra, baseada no texto de Lucas 24.17-19, focou o papel de transformação social da igreja enquanto agente local. Segundo ele, muito se tem falado sobre profecias, mas profecia é o anúncio e o fazer cumprir a vontade de Deus. “Toda a ação social cristã deve ser profética”, disse.

Na mesma manhã, Ronald Sider falou sobre evangelismo e ação social. “Evangelismo e ação social não são exatamente a mesma coisa, mas estão ligados e entrelaçados”, disse. Para ele, as bases de fé do cristianismo devem ser entendidas da maneira holística, valorizando a alma, mas também o corpo do ser humano. “Se você lidar somente com metade do problema, você terá apenas metade da solução. Se somos corpo e alma, precisamos tanto de transformação interior quanto exterior”. 

A programação da manhã também contou com uma apresentação de dança de meninas atendidas por um projeto social da Fundação Bênçãos do Senhor, no Rio de Janeiro.

À noite, em sua terceira preleção, Sider abordou o envolvimento dos cristãos na política. “Ser um cristão compromissado não quer dizer que você faz sua política de forma correta”. Ronald deu dois motivos para o nosso envolvimento: um político e um teológico. “O primeiro motivo é porque pequenas decisões políticas podem ter impactos enormes na vida de muitas pessoas. O segundo é porque Jesus Cristo é hoje Senhor do universo e governa sobre os reis da terra. A Jesus foi dado todo o poder nos céus e na terra.” 

3º dia: emoção e comunhão
O terceiro e último dia do encontro foi marcado pela beleza da comunhão. O Pr. Neil Barreto destacou a responsabilidade de sermos sal e luz no mundo. As palavras doces, mas firmes de Arbutus para que haja igualdade entre homens e mulheres emocionaram o público. Emocionante também foi quando o Pr. Davi Malta, de 90 anos, um dos fundadores da Diretriz Evangélica (um movimento batista que buscava a justiça social em plena ditadura militar) falou na plenária sobre como Deus o chamou para olhar, de fato, para o pobre. 

Em sua última preleção, Ronald Sider exortou os ouvintes a serem verdadeiros cristãos. “Tudo o que se precisa para renovar o evangelho é um pequeno número de cristãos compromissados como os primeiros 120 discípulos. Os genuínos cristãos ainda são uma minoria entre os que levam o seu nome, mas essa minoria tem um poder imenso porque eles olham todos os dias para Cristo e dizem: eu quero ser cada vez mais parecido com o senhor e quero fazer o que o senhor me der para fazer.”

Antes de encerrar o IV Encontro da RENAS, todos leram a “Carta Aberta à Cidade do Rio de Janeiro”, com considerações para contribuir com o avanço da justiça social nessa cidade. No final, todos os pastores presentes foram convocados para distribuir a Santa Ceia. Cada participante levou a caneca do encontro e orou em dupla. Uma oportunidade de agradecer pelo encontro e pela comunhão experimentada. Um momento de proclamação, como o que a RENAS tem feito pelo reino. Depois desse período de comunhão, todos oraram o Pai Nosso.

Fonte: Equipe de Comunicação da RENAS 

domingo, 13 de setembro de 2009

Curso do DENARC.

(clique na imagem para ampliar)

Metade.

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.




Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma 
e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso

Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que o medo da solidão se afaste, 
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.


E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cresça.




Por Pastor Edimilson


O menino cresceu e foi desmamado. E, no dia em que o menino foi
desmamado, Abraão deu uma grande festa –
 Gn 21.8

Abraão deu uma festa quando seu filho Isaque foi desmamado, mostrando sua alegria por ver seu filho avançando uma etapa rumo à maturidade. Quando leio este texto costumo ver aqui a alegria de Deus conosco quando crescemos mais um pouquinho, diante de cada progresso nosso. A infância é algo bonito, desde que seja vivida somente em seu devido tempo. Ou seja, só é bom ser criança no tempo de ser criança. Quando esse tempo passa, se não deixarmos de ser criança, é sinal de que alguma coisa não está normal em nossa vida, quando Jesus disse que devemos ser como crianças para entrarmos no reino de Deus, ele estava falando de alguns aspectos da criança que nunca devemos perder, ou seja, nossa dependência de Deus, nossa pureza, nossa humildade. Mas no que diz respeito às demais coisas, Deus espera que cresçamos.

Alguns sinais de imaturidade emocional e espiritual mostram que estamos vivendo uma infantilidade fora de tempo:

Exclusividade das atenções. Como as crianças gostam de ser o centro das atenções! Quando chega o irmãozinho mais novo, muitas delas se sentem ameaçadas e chegam a ficar deprimidas. As crianças se esquecem de que as atenções que foram dispensadas a elas, outros necessitam agora e que elas devem ajudar a cuidar dos novos. Mas a criançona fica ressentida e emburrada porque perdeu o colinho. “Desde que chegaram estes aí, ninguém liga mais para mim nem dá a atenção que eu tinha no começo”, diz a criança com o bicão.

Falta de discernimento. Tudo o que a criança pega coloca na boca. Quando se sofre de criancice crônica, a pessoa engole tudo o que lhe dão. Ou então dispensa comida boa e troca por doce ou por coisas que fazem mal à saúde. Como dói ver pessoas dispensando um bom prato de comida da palavra de Deus, por doce que só tapeia o estômago da alma.

Melindre. Crianças se magoam com qualquer coisa. Quando se lida com as crianças da vida é preciso se ter o maior cuidado com o que se fala e com o que não se fala, com o que se faz e com o que não se faz. Crianças ficam trancadas em casa, feridos porque alguém não lhes cumprimentou, lhes olhou feio, não sorriu para eles. Crianças são melindrosas.

Teimosia. Crianças são teimosas porque cismam que sabem o que estão fazendo, que sabem o que querem e que sabem o que é melhor para si. Mas, vivem quebrando a cara. Ouvir conselhos é coisa de adulto. Quebrar a cara faz parte do aprendizado. Mas, quando se vive a eterna infância, a pessoa quebra a cara, mas não aprende, e não escuta ninguém porque acha que já sabe tudo.

Quando virmos alguns destes sintomas de criancice em nós, vamos falar para nós mesmos: “cresça”. Deus quer dar uma festa. Ele só fará isso quando largarmos a mamadeira, quando dermos os primeiros passos, quando sairmos das fraudas. Deus dará uma festa quando deixarmos de dar trabalho e começarmos a trabalhar.

Fonte: Reflexões. Via Genizah.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A morte não é o fim.

   Faleceu o irmão Samuel da Silva. Samuel como o profeta bíblico e da Silva, como tantos de nós, o nosso irmão não resistiu nem um dia ao impacto assassino de uma motocicleta.

  Coube a mim, seu pastor, a responsabilidade de proferir algumas palavras de conforto e esperança na pequena cerimônia realizada ontem, nas primeiras horas da manhã, pouco antes do enterro.

   Por causa do falecimento do nosso irmão, o culto foi fúnebre. Mas, por causa da vida que o Pai Eterno lhe outorgou aqui nesta terra, o culto fúnebre foi ‘culto’.

  Culto é uma homenagem que se presta a uma divindade, diz o dicionário. Ontem pela manhã, especificamente, nos reunimos para agradecer a Deus pela vida de alguém com quem convivemos na mesma comunidade de fé por algum tempo. Agradecemos ao Senhor pelos seus quase 65 anos de vida. Agradecemos pelo testemunho de sua fé em Jesus Cristo, pela vida da sua família e pela oportunidade da convivência a nós concedida.

   ‘Mas, pastor’, você pode perguntar, ‘por que gratidão? Porventura podemos celebrar a morte?’ ‘Não’, eu respondo. Não podemos e nem foi o que fizemos. Não celebramos a morte. Celebramos a continuação da vida, pois, para o cristão, a morte não é o fim. A morte de um servo de Deus é o começo de uma nova vida, a vida eterna na glória celestial (Isaías 35; I Coríntios 15.19-21; II Coríntios 4.14-18; 5.1-10).

   O culto fúnebre, conquanto celebrado na presença pesada e triste da morte, deve ser visto como a celebração da esperança. A esperança da vida eterna em Cristo Jesus.

   Que o nosso coração fique firme e o nosso ânimo renovado. Que as trevas não turvem a nossa visão. Que os nossos olhos permaneçam fitos no céu. Que prossigamos nesta caminhada com firmeza, olhando para Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé.

   Que Deus abençoe e conforte os familiares e amigos e que também nos abençoe, em nome de Jesus.

Carta de uma prisão em Birmingham.

Sabemos por meio de experiências dolorosas que a liberdade nunca é voluntariamente concedida pelo opressor; ela tem de ser exigida pelo oprimido. Francamente, ainda não tomei parte em uma campanha de ação direta que fosse “oportuna” na visão daqueles que não sofreram indevidamente da doença da segregação. Já faz anos que ouço a palavra “Espere!” Ela ressoa nos ouvidos de cada negro com uma familiaridade aguda. Esse “espere” quase sempre significou “nunca”. Temos de chegar à percepção, junto com um de nossos eminentes juristas, de que “a justiça adiada por muito tempo é justiça negada”.
Esperamos por mais de 340 anos por nossos direitos constitucionais e concedidos por Deus. As nações da Ásia e da África estão dirigindo-se com uma velocidade a jato rumo à conquista da independência política, mas nós ainda nos arrastamos a passo de cavalo e de charrete rumo à conquista de uma xícara de café em um aparador. Talvez seja fácil àqueles que nunca sentiram os dardos perfurantes da segregação dizer “espere”. Mas quando você viu bandos perversos lincharem suas mães e pais à vontade e afogar suas irmãs e irmão a seu capricho; quando você viu policiais cheios de ódio amaldiçoarem, chutarem e até matarem seus irmãos e irmãs negros; quando você vê a vasta maioria de seus vinte milhões de irmãos negros sufocando-se em uma jaula hermética da pobreza em meio a uma sociedade de abundância; quando você de repente descobre sua língua travada e sua fala gaga ao tentar explicar a sua irmã de seis anos de idade por que ela não pode ir ao parque de diversões público cuja propaganda acabou de passar na televisão, e vê lágrimas jorrando dos olhos dela quando lhe é dito que o Funtown está fechado para crianças de cor, e vê ameaçadoras nuvens de inferioridade começando a se formar no pequeno céu mental dela, e a vê começar a distorcer sua personalidade ao desenvolver um rancor inconsciente contra as pessoas brancas; quando você tem de inventar uma resposta a um filho de cinco anos de idade que está perguntando: “papai, por que as pessoas brancas tratam as pessoas de cor tão mal?”; quando você faz uma viagem através de seu estado e descobre ser necessário dormir noite após noite nos cantos desconfortáveis de seu carro porque nenhum motel o aceita; quando você é humilhado entra dia sai dia por sinais irritantes dizendo “branco” e “de cor”; quando seu prenome torna-se “neguinho”, seu nome do meio torna-se “menino” (não importa sua idade) e seu sobrenome torna-se “John”, e sua mulher e mãe nunca são chamadas pelo título respeitável de “Sras.”; quando você é perseguido de dia e assombrado à noite pelo fato de que você é um negro, vivendo constantemente na ponta dos pés, sem saber exatamente o que esperar em seguida, e é atormentado por medos interiores e ressentimentos exteriores; quando você está sempre lutando contra uma impressão degradante de “não ser ninguém” – então você entenderá porque achamos difícil esperar. Chega um momento em que a capacidade de suportar esgota-se, e os homens não estão mais dispostos a mergulhar no abismo do desespero. Espero, senhores, que vocês possam compreender nossa impaciência legítima e inevitável. Vocês manifestam uma boa dose de ansiedade quanto à nossa disposição de violar as leis. Essa é certamente uma preocupação legítima. Como nós exortamos tão ativamente as pessoas a obedecerem à decisão de 1954 da Suprema Corte que baniu a segregação em escolas públicas, à primeira vista pode parecer um tanto paradoxal que nós conscientemente violemos leis. Também se poderia perguntar: “Como vocês podem advogar a violação de certas leis e a obediência a outras?” A resposta está no fato de que existem dois tipos de leis: as justas e as injustas. Eu seria o primeiro a advogar a obediência a leis justas. Tem-se uma responsabilidade não só legal como também moral de obedecer a leis justas. De modo contrário, tem-se uma responsabilidade moral de desobedecer a leis injustas. Concordaria com Santo Agostinho em que “uma lei injusta simplesmente não é lei”.
Viajei acima e abaixo por Alabama, Mississipi e todos os outros estados sulistas. Em dias sufocantes de verão e manhãs revigorantes de outono, contemplei as lindas igrejas do sul, com seus cumes majestosos apontados em direção aos céus. Admirei os perfis impressionantes dos amplos edifícios de educação religiosa. Repetidamente, peguei-me perguntando: “Que tipo de pessoa ora aqui? Quem é seu Deus? Onde estavam suas vozes quando dos lábios do governador Barnett respingaram palavras de interposição e nulificação? Onde elas estavam quando o governador Wallace deu um toque de clarim em favor do desafio e do ódio? Onde estavam suas vozes de apoio quando homens e mulheres negros, feridos e exaustos, decidiram levantar-se dos calabouços escuros da complacência até as colinas claras do protesto criativo?”
Sim, essas perguntas ainda estão na minha mente. Em decepção profunda, chorei pela frouxidão da igreja. Mas estejam certos de que minhas lágrimas foram lágrimas de amor. Não pode existir decepção profunda onde não existe amor profundo. Sim, amo a igreja. Como poderia não amar? Estou na posição um tanto singular de filho, neto e bisneto de pregadores. Sim, vejo a igreja como o corpo de Cristo. Mas, oh!, como maculamos e deixamos cicatrizes nesse corpo por meio da negligência social e por meio do medo de sermos não-conformistas.
Houve um tempo em que a igreja era bastante ponderosa – no tempo em que os primeiros cristãos regozijavam-se por ser considerados dignos de ter sofrido por aquilo em que acreditavam. Naqueles dias, a igreja não era apenas um termômetro que registrava as idéias e princípios da opinião pública; era um termostato que transformava os costumes da sociedade. Quando os primeiros cristãos entravam em uma cidade, as pessoas no poder ficavam transtornadas e imediatamente buscavam condenar os cristãos por serem “perturbadores da paz” e “forasteiros agitadores”. Mas os cristãos prosseguiam, com a convicção de que eram “uma colônia do céu”, que devia obediência a Deus e não ao homem. Pequenos em número, eram grandes em compromisso. Eles eram intoxicados demais por Deus para serem “astronomicamente intimidados”. Com seu esforço e exemplo, puseram um fim em maldades antigas como o infanticídio e duelos de gladiadores. As coisas são diferentes agora. Com tanta frequência a igreja contemporânea é uma voz fraca, ineficaz com um som incerto. Com tanta frequência é uma arquidefensora do status quo. Longe de se sentir transtornada pela presença da igreja, a estrutura do poder da comunidade normal é confortada pela sanção silenciosa – e com frequência sonora – da igreja das coisas tais como são.
Mas o julgamento de Deus pesa sobre a igreja como nunca pesou. Se a igreja atual não recuperar o espírito de sacrifício da igreja primitiva, perderá sua autenticidade, será privada da lealdade de milhões e será descartada como um clube social irrelevante com nenhum significado para o século XX. Todos os dias, encontro pessoas jovens cuja decepção com a igreja tornou-se uma repugnância absoluta.
Nunca escrevi uma carta tão longa. Temo que seja longa demais para tomar seu tempo precioso. Posso lhes garantir que teria sido muito menor se a tivesse escrito em uma mesa confortável, mas o que mais se pode fazer quando se está sozinho em um cela apertada a não ser escrever longas cartas, pensar longos pensamentos e rezar longas orações?
Espero que essa carta encontre-os fortes em sua fé. Espero também que as circunstâncias em breve permitam que me encontre com cada um de vocês, não como um integracionista ou um líder dos direitos civis, mas como um colega clérigo e um irmão cristão. Tenhamos todos esperança em que as nuvens negras do preconceito desapareçam em breve e a neblina profunda da incompreensão dissipe-se das nossas comunidades cheias de medo, e que em um amanhã não muito distante as estrelas radiantes do amor e da fraternidade brilhem sobre nosso grande país com toda a sua beleza cintilante.

 *Excertos de uma carta escrita pelo Pr. Martin Luther King Jr. na cela de uma prisão na cidade de Birmingham, em 1963. Nestes tempos bicudos, em que parte considerável da liderança evangélica brasileira se rende aos manjares do rei em troca de votos e do silêncio diante dos desmandos e da corrupção, sendo ela mesma corrupta, vale a pena a leitura deste texto. Trata-se de um verdadeiro manifesto profético em favor da igualdade, liberdade e fraternidade para todos. Mesmo que seja, nas palavras do próprio Dr. King, a sua carta mais longa, a leitura na íntegra é altamente recomendada por este que vos fala. Para tanto, clique aqui e acesse o site do projeto Ordem Livre. O presente repete o passado. Aqui, como lá, o silêncio dos bons tem sido mais pernicioso do que a astúcia dos maus.