quinta-feira, 4 de junho de 2009

Contingência e o vôo 447

O mundo está em choque. De novo a contingência mostra sua cara na tragédia do vôo da Air France. Vale lembrar: contingência significa que os acontecimentos não são sempre necessários. Quando ocorre alguma coisa sem uma razão que a explique ou justifique. Contingência gera imprevisto; fatos que escapam à engrenagem da causa e do efeito. Um avião cai porque o mundo é contingente, não porque tenha sido vítima do destino ou de um plano de Deus.

Diz-se no senso comum que as pessoas só morrem quando chega a hora. Caso isso fosse verdadeiro, o destino reuniu em uma aeronave as pessoas que deveriam morrer naquele dia. Isso daria à fatalidade um poder apavorante. Impossível pensar que gente de mais de trinta países entrou no vôo 447 sem saber que obedecia a uma força cega, que determinava aquele como o último dia de suas vidas.

Igualmente, acreditar que Deus permite a queda do avião porque tem algum propósito, soa esquisito. Cada pessoa, com histórias, projetos, sonhos, foi arrancada da existência para que se cumprisse qual objetivo? Um objetivo macro? Isto é, para que a humanidade aprendesse ou se arrependesse? Isso faria com que as biografias fossem descartáveis, desprezíveis. O Divino Oleiro, sem precisar se explicar, afogaria tanta gente para conduzir a macro história para o fim glorioso? Sim? Mesmo que exista esse deus, eu não o quero.

Também, algumas pessoas aceitam que Deus tem um plano para cada morte individual. Verdade, ele é Deus, tem todo o poder e é capaz de reunir, em um só lugar, quem deveria morrer. Mas também é bom. Então todos os passageiros foram eleitos para cumprir qual bem? Satisfaz pensar que o bem de ceifar tantas vidas, mesmo sem nenhum sentido do lado de cá, está garantido na eternidade? (Deus sabe o que faz?!?!) Como explicar tal conceito para pais, filhos e parentes desolados? Todos acorrentados à trágica realidade que lhes roubou de seus queridos.

A idéia de que Deus tem um plano para cada morte se esvazia diante dos números. Um avião caiu, mas o que dizer dos incontáveis acidentes de todos os dias? O que dizer das balas perdidas que aleijam transeuntes? E dos erros médicos ou dos acidentes de trânsito? Recentemente uma senhora de nossa comunidade caiu da laje da casa em construção. Ela fotografava a obra para que a filha ajudasse com as despesas do acabamento. Quebrou a coluna e ficou paraplégica. A última explicação que se poderia dar é que Deus tinha um plano em deixá-la paralítica.

Jesus nunca cogitou o mundo sem contingência. Pelo contrário, não atrelou a queda de uma torre aos desígnios divinos; não disse que a cegueira do homem era consequência causal das ações interiores, dele ou de seus pais; advertiu que os seus discípulos enfrentariam tempestade, aflição e morte.

Contingência é o espaço da liberdade, portanto, da condição humana. Sem contingência nos desumanizaríamos. A consciência do risco de adoecer e da imprevisibilidade da morte súbita é o preço que pagamos por nossa humanidade.

O desastre do avião mostra a inutilidade de pensar que o exercício correto da religião e a capacidade tecnológica mais excelente sejam suficientes para anular a contingência. Nossa vida é imprecisa e efêmera. Portanto, vivamos intensamente. Cada instante pode ser o último – Carpe Diem!

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim.


(CLIQUE NO TÍTULO DO POST E LEIA MAIS TEXTOS DO PASTOR RICARDO NO SITE DELE).


segunda-feira, 25 de maio de 2009

“Não quero que o deputado Carli mate de novo”



Na madrugada de 7 de maio, três dias antes do Dia das Mães, Christiane Yared, 49 anos, recebeu o caixão lacrado de seu filho de 26 anos, Gilmar Rafael Yared. Nunca viu o que restou dele após a brutal colisão, numa avenida de Curitiba, com o carro blindado do deputado Fernando Ribas Carli Filho, de uma família importante de políticos do estado do Paraná. Já está provado, pelo exame de sangue, que o deputado estava embriagado na hora do acidente. Além disso, Carli Filho tinha perdido o direito de dirigir desde julho do ano passado. Tinha 130 pontos na carteira e 30 multas, 23 delas por excesso de velocidade. A mãe de Gilmar, pastora evangélica e empresária, dona de uma firma de bolos e doces, falou a Ruth de Aquino, para o blog Mulher 7×7, de ÉPOCA, sobre os seus últimos 15 dias, de luto. Seu choro se mistura a seu principal motivo de viver: a batalha para que a verdade seja estabelecida, e a justiça seja feita. “Quero o deputado Carli Filho fora das ruas, senão ele vai matar de novo”, diz Christiane. “Seu caráter está formado. Ele não é uma criança”.

O que sua vida se tornou nessas duas semanas, depois de perder seu filho?
Christiane – Eu não estou mais vivendo a minha vida. Hoje fui pela primeira vez ao local do acidente com meu esposo, comprei 26 rosas brancas (Gilmar tinha 26 anos), e fomos chorar, e nos ajoelhar. (neste momento, Chris – como é chamada – começa a soluçar e chorar ao telefone, e pede “desculpas”). Nos tiraram nosso pulmão, hoje a gente respira para os outros, para nossos outros filhos, para os filhos de nossos amigos, filhos dessas famílias todas que têm nos amado e consolado pelo Brasil todo. Eu nem chorei a morte de meu filho direito, porque se eu não agisse logo, ele é que seria “o drogado”, “o bêbado”, ele é que teria entrado na rua errada na hora errada.

Gilmar Yared, 26 anos, morto no acidente envolvendo o deputado Carli FilhoEstá provado que seu filho dirigia devagar na hora do acidente?
Christiane – Meu filho estava a 30 quilômetros por hora, a perícia nos avisou hoje. Os pneus estavam intactos. O carro do deputado Carli vinha a 190 quilômetros por hora, cortou o carro do meu filho ao meio, cortou o tampo do carro, cortou a cabeça de meu filho, que foi encontrada a 40 metros de distância, um filme de terror. Você pode imaginar as pessoas procurando no escuro, à 1h da madrugada, a cabeça de alguém? Um rapaz enorme, de 1m98? Foi um banho de sangue porque eles foram amassados pelo carro blindado e potente do deputado, um Passat alemão. O amigo de meu filho também virou uma massa humana. Do Gilmar, ficaram só os braços. Tudo muito triste, muito doído.

Hoje, sobre o que a senhora e seu marido mais conversam?
Christiane – A vida dos outros tornou-se o único sentido. Pensamos em vender tudo que temos para lutar pelos que ficaram. Temos a esperança de reencontrar nosso filho porque somos religiosos. Eu sou pastora evangélica, me converti há 14 anos. E também precisamos viver por nossos outros dois filhos, Danielle, de 29 anos, veterinária, e o Jonathan, 22 anos. Eles são uns amores, ela uma guerreira e ele, um tesouro. O Gil era a alegria, um raio de sol que entrava em qualquer lugar. Ele via a vida como um presente. Sorria e cumprimentava a garçonete, o pedreiro, o menino que pedia alguma coisa. Ele sempre tinha uma palavra para todos.

Como estão seus outros filhos após a perda do irmão?
Christiane – Os dois estão engajados nessa luta, vai ter uma passeata grande no domingo em Curitiba, um manifesto a favor da vida às 10h da manhã. Caminharemos até o parque mais próximo, vamos fazer o culto, vamos agradecer por estar vivos. Vamos pedir que seja feita justiça, que não haja impunidade, porque, para cada família que perde alguém assim e a causa fica impune, trata-se de um crime hediondo.

Muitas pessoas têm se solidarizado com seu drama?
Christiane – A cada dia, dezenas de pessoas entram no meu Orkut. Oitenta, 100 pessoas. Fora os que me telefonam. Um senhor me ligou da cidade em que o pai do deputado é o prefeito, Guarapuava, me avisando preocupado: a senhora está lidando com coronéis. Eu disse que estava tranquila, porque sou filha de um general, sou filha de Deus. Tenho um escudo, e as palavras não me ameaçam. Sou evangélica, mas católicos, espíritas, budistas, todos me abraçam, me consolam, é lindo porque para Deus não existe religião. Essa família brasileira é abençoada, esse povo brasileiro não tem igual no mundo.  Religiões foram os homens que criaram. Sei que Deus está olhando para cá. As pessoas estão me sustentando em oração. Numa igreja em Mato Grosso do Sul, os membros estão em jejum há 12 dias. Pedem por nós.

Como a senhora soube da morte de seu filho?
Christiane – Fui avisada na quinta-feira às 2h20 da madrugada, por dois agentes funerários na porta do condomínio de casas onde moro. O porteiro me acordou, me disse “vem aqui na portaria, é muito sério”. Achei que fosse um assalto. Altino, o porteiro, disse: “Infelizmente não é um assalto. Houve um acidente com o carro de seu filho.” Eu mesma liguei para a polícia: disquei 190, perguntando se era um trote. Me transferiram para o Corpo de Bombeiros. Ele tapou o telefone e disse para o colega: é uma das mães dos rapazes que faleceram. Eu não sabia a proporção do acidente até então. Me deram um caixão lacrado. Tenho uma firma que faz bolos, e fui até a firma trabalhar no dia seguinte, naquela agonia de alma, porque há coisas que só eu sei fazer. Quando me disseram que meu filho tinha sido degolado, quando soube da violência, foi como se me cortassem o corpo ao meio com a foice. E começaram a espalhar que meu filho era culpado. No domingo após o acidente, foi Dia das Mães. E eu queria dizer às mães que o presente que recebi do deputado foi a cabeça de meu filho.

(continue lendo esta entrevista clicando no título do post).

domingo, 10 de maio de 2009

DEUS É MÃE.


      Eu sei que para alguns o título deste texto já soa como uma grande heresia. Dizer que Deus é Mãe é contrariar inúmeros textos bíblicos que o apresentam como Pai e a minha excentricidade não vai ao ponto de me tornar um herege. Heterodoxia tem limites. Mas, olhando as Escrituras, vejo um Deus que manifesta também um sentimento materno muito grande. Acostumados a orar a Deus como Pai, parece-nos difícil vê-lo como Mãe. O profeta Isaías declarou: “Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, eu não me esquecerei de você!” (Is 49.15). Este texto sempre falou profundamente ao meu coração. Passei cerca de vinte anos da minha vida me sentindo esquecido pela minha mãe. Quando me deparei com este texto cantado em uma canção de um cantor evangélico não muito conhecido chamado Lula Batista, fui confortado. Foi como se o Senhor estivesse me dizendo: “Você é meu filho. Ainda que você tenha sido esquecido pela sua mãe, eu jamais me esquecerei de você, Joel”. Eu creio ser esta uma das mais belas declarações de amor da Bíblia. O Deus Eterno olha para Seu povo e diz: “Vocês são meus filhos e os amarei como uma mãe”.

 

     A minha experiência com a figura materna só não foi traumática porque Deus, na sua infinita bondade e sabedoria, me concedeu um pai espetacular e permitiu que ele se casasse com uma mulher não menos espetacular, chamada Maria (na foto, com um de seus netinhos). Também me cercou de mulheres maravilhosas como a minha avó paterna, também Maria, que me acolheu e sempre cuidou de mim com muito carinho. Não demonstrei muita gratidão quando ela ainda estava viva, fato de que me ressinto muito. Muitas avós são mães ao quadrado.

 

    Entendo que o fato de uma mulher poder parir, não a transforma em uma mãe. A procriação é um ato puramente animal, que assegura a preservação da espécie, mas a maternidade tem um sentido que vai além da reprodução. Concordo com o Pr. Glênio Paranaguá quando ele diz que “ser fêmea não é a mesma coisa do que ser mulher feminina, por isso, ser apenas uma matriz, não é ser mãe. A mãe é bem mais do que uma genitora. O seu papel supera em muito as fronteiras da concepção no espaço uterino”Sem sombra de dúvidas o amor de uma mãe é marcante, e Deus tem igual amor por cada um de nós. Assim como uma mãe se aferra ao amor que tem por um filho, independentemente de suas atitudes, Deus também manifesta o seu amor por nós sem que o mereçamos. O apóstolo Paulo declara isso: “Mas Deus dá prova o seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”. (Rm 5.8).  

 

     Davi reconheceu isso quando declarou: “Ainda que me abandonem pai e mãe, o SENHOR me acolherá” (Sl 27.10). O cuidado, o amor e a proteção de Deus se equivalem ao sentimento materno. Poder desfrutar de um relacionamento pessoal com Deus é também descobrir esta faceta divina.

 

     Hoje, Dia das Mães, creio ser uma ótima oportunidade para que as mamães sejam não somente honradas, mas também valorizadas em seu papel, já que a maior missão que a mulher tem nesse mundo é a prerrogativa de ser mãe. O apóstolo Paulo encarava o fato de ser mãe como o ministério fundamental da mulher. Ele sustentava que a mulher não deveria se envolver com algo menor do que a sua grande missão. Na sua segunda carta a Timóteo ele diz o seguinte: “Todavia, será preservada através de sua missão de ser mãe, se ela permanecer em fé, amor e santificação de maneira sóbria”. (I Tm 2.15).

 

     Numa sociedade que desvaloriza as pessoas e trata os seres humanos como máquinas e números de um senso geográfico, Deus nos chama a atenção a estas mulheres batalhadoras. Na Bíblia temos vários exemplos de mães, tais como Sara, Joquebede, Ana, Isabel, Maria e tantas outras. Elas foram símbolos do amor incondicional, da alegria em meio ao sofrimento, da fé em meio à crise. Deus fortaleceu cada uma delas e as abençoou.

 

     Neste dia representativo – já que o dia delas é todo dia – quero homenageá-las e dizer: Feliz Dia das Mães. Infelizmente as palavras não podem expressar todo sentimento. Que a cada dia vocês, queridas mães, possam demonstrar as qualidades mais ternas do Senhor, como amor, graça, misericórdia e bondade.

 

     São os votos de alguém que, abandonado pela mãe biológica, recebeu como recompensa o amor de mulheres fantásticas que foram e estão sendo usadas pelo Senhor como expressões genuínas do Seu sentimento materno, do Seu tão grande amor.

sábado, 2 de maio de 2009

Você no buraco.



Só Jesus Cristo salva!





Sair do buraco no qual nos metemos com o nosso pecado não depende de nós mesmos. Nada que façamos poderá nos ajudar a sair desse buraco. Nenhum ser humano é capaz de nos tirar dele. Somente Jesus Cristo, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, é capaz de entrar nesse buraco e nos resgatar. Ele tem esse poder. Confie Nele. Confie no Seu amor. Confie no Seu sangue. Reconheça-se incapaz. Reconheça-se pecador. Arrependa-se (concorde com Deus quando Ele declara que você é um pecador). Venha para a luz que é Cristo. Receba-o como o Senhor da sua vida.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Para Não Viver em Vão.

"Não pretendo terminar os dias desempenhando as funções sacerdotais como mero sacerdote que batiza, celebra ritos de passagem e enterra os mortos. Não almejo acomodar-me à função de xamã. Não tolero o papel de “baby-sitter” de crentes burgueses, sempre ávidos por bênçãos."

"Caso não mexamos com os conceitos fundamentais da teologia da missão, continuaremos repetindo fórmulas desgastadas. Resgatar pessoas do inferno, garantir o céu, mas esquecer a “plenitude da vida” diminui brutalmente o mandato cristão. O tempo gasto das pessoas, os recursos financeiros aplicados, a mobilização de talentos, não podem ser desperdiçados. A função da igreja é também resgatar vidas, proteger os indefesos da burocracia estatal, da opressão do mercado e até da frieza eclesiástica."

"Entreguei-me de corpo e alma à oração, fiz vigílias, jejuei. Ralei os joelhos em busca de uma espiritualidade eficiente. Acreditei piamente que a maturidade humana aconteceria pelo caminho da piedade religiosa. Ledo engano. Muitos companheiros de oração se levantaram ferozmente contra mim."

"O mundo passa por mudanças radicais e as igrejas, se quiserem ser relevantes, precisam repensar seu papel na sociedade. Se não quiserem sucumbir à tentação de serem meros prestadores de serviços religiosos, os pastores precisam abrir mão de egolatrias tolas como o fascínio por títulos. É tolice brincar de importante usando o nome de Deus."

(trechos do texto "Para não viver em vão", do Pr. Ricardo Gondim, publicado na Ultimato deste bimestre. leia a íntegra no site da revista; basta dar um clique no título deste post. atendendo recomendação do Pr. Claudinei Fernandes Paulino da Silva, da SIB de Jacupiranga. valeu!).

segunda-feira, 27 de abril de 2009

João Batista. Uma história de restauração.

Em junho de 2008, o Senhor nos direcionou para a realização de um trabalho com os moradores de rua da cidade de Cajati. Iniciamos este trabalho distribuindo cobertores e blusas que havíamos arrecadado numa campanha de agasalhos. Foi quando conhecemos o João Batista, que estava (des)abrigado sob uma ponte no centro da cidade. Juntamente com ele encontramos outras pessoas que foram atendidas pelos nossos irmãos durante alguns meses com alimento todas as noites. No mês de Outubro daquele mesmo ano, consegui convencer o João da necessidade que ele tinha de ir para algum lugar onde ele pudesse desintoxicar o seu corpo, já tão combalido pelo álcool. O Senhor abriu-nos a porta (porteira, melhor dizendo!) da Fazenda Nova Aurora, um local no qual ele poderia ser atendido na sua necessidade e no qual receberia um apoio espiritual como nunca antes tinha experimentado. Já são cerca de seis meses de muita determinação em alcançar o seu objetivo, que é o de abandonar de vez a bebida e viver uma nova vida com Jesus. Louvamos ao Senhor pelo progresso fantástico que temos percebido nele. Creio que o Senhor completará a obra que começou e usará o João como instrumento vivo nas suas mãos. Assim como ele, muitos e muitos outros precisam desse apoio. Creio que o testemunho dele será usado pelo Senhor como uma arma poderosa de convencimento das pessoas quanto ao poder, graça, amor e misericórdia de um Deus que nos ama e que quer sempre o melhor para nós e de nós.

Assista ao vídeo abaixo e coloque-se na posição de abençoar o maior número de pessoas possível. Temos um papel relevante a cumprir nessa sociedade em meio a qual precisamos ser, de fato, sal e luz.



terça-feira, 14 de abril de 2009

Carta do Som do Céu - Manifesto de Artistas Cristãos

11 de abril de 2009
ImageIntrodução

Nós, músicos, artistas e líderes eclesiásticos, cristãos, vindos das variadas regiões brasileiras, estivemos reunidos entre os dias 6 a 12 de abril de 2009, no Acampamento da Mocidade Para Cristo do Brasil, dias de comemoração dos 25 anos do Som do Céu, para discutir dois temas principais: “A música e os músicos na igreja” e “A igreja como promotora de cultura”.
Agradecemos a Deus pelos dias de comunhão fraterna entre nós e pelo privilégio de ouvi-lo entre as vozes pastorais e proféticas que ecoaram em nosso meio. Reconhecemos que a música cristã tem ocupado um espaço significativo em nossos dias, tanto na igreja como na sociedade em geral. No entanto, observamos que nem sempre essa participação tem sido consistente e coerente com a Palavra de Deus – nosso referencial maior – nem rendido glórias ao Senhor da Igreja. Desejamos, portanto, apresentar à Igreja brasileira a “Carta do Som do Céu”, sintetizada em 25 pontos, que resume nossas inquietações e propõe ações práticas à Igreja de Cristo Jesus, nesse princípio de século XXI:
 
1. O artista cristão deve desenvolver o seu dom criativo e submetê-lo exclusivamente aos valores da Palavra de Deus;
 
2. Cremos que a arte, na perspectiva da graça comum, é um presente dos céus a toda humanidade e não está restrita aos cristãos;
 
3. Desejamos que haja coerência entre a vida, o ministério e a profissão do artista cristão, cujo discurso deve estar aliado à sua prática;
 
4. Esperamos que o artista cristão busque servir a Deus e à sociedade com excelência e integridade, dedicando-se ao desenvolvimento dos talentos e dos dons recebidos do alto;
 
5. A igreja precisa estar atenta ao artista cristão como parte do rebanho de Deus e dar a ele a atenção devida, despida de preconceitos, e oferecer-lhe pastoreio e discipulado, objetivando a sua formação espiritual e ética;
 
6. Esperamos que o artista cristão esteja envolvido em uma igreja local, servindo-a e amando-a como Corpo de Cristo. Deve ser rejeitada toda e qualquer tentativa de desenvolvimento de uma fé individualista e distante da comunidade;
 
7. Reafirmamos que a elaboração de textos e letras deve ter embasamento nos valores da Palavra de Deus;
 
8. Comprometemo-nos a dedicar atenção e reflexão às canções que são introduzidas no culto de adoração e nas demais atividades da igreja, buscando um repertório equilibrado e consciente e evitando, de todas as formas, que heresias e desvios teológicos adentrem sutilmente em nossas comunidades;
 
9. As igrejas, as instituições de ensino teológico e os artistas cristãos devem combater o ensinamento equivocado e amplamente difundido de que louvor e adoração restringem-se à musica, ensinando, por demonstração e exemplo, que se trata de um estilo de vida que envolve todas as áreas da nossa existência e que a música, assim como outras formas de arte, é expressão legítima de louvor e adoração;
 
10. A igreja deve agir como facilitadora na adoração e abrir espaço para que todos expressem seu louvor a Deus;
 
11. Esperamos que o músico cristão busque e desenvolva a santidade, vivendo uma vida piedosa, tanto no serviço prestado a Deus na igreja, quanto fora dela, em sua atividade profissional;
 
12. Rejeitamos a dicotomia que faz separação entre o sagrado e o secular e cria espaços estanques na vida do cristão. O Senhor Jesus é soberano e governa todas as instâncias da vida, e, por isso, devemos somente a ele a nossa fidelidade, agradando-o em tudo e rejeitando tão-somente o que ofende a sua glória;
 
13. A Igreja não se pode esquivar de sua responsabilidade diante da cultura na qual está inserida; deve mentoriar a reflexão e a prática de uma teologia de arte e cultura;
 
14. Incentivamos as igrejas a abrir suas dependências para a realização de eventos culturais como exposições, mostras, cursos, saraus e outras atividades visando à educação, à divulgação e à aproximação da sociedade;
 
15. Mesmo entendendo que todo trabalho na igreja é voluntário, podemos honrar com sustento ou remuneração aqueles que se dedicam ao ministério musical, se a comunidade disponibiliza de recursos para tal;
 
16. Entendemos que nossa arte deve encarnar uma voz profética e manifestar em seu conteúdo os valores do Reino;
 
17. Recomendamos que as igrejas promovam encontros de reflexão sobre a utilização das artes no Reino de Deus, capacitando os artistas para a realização de seu trabalho;
 
18. Incentivamos os músicos a expressar em sua arte a beleza de Deus por meio de uma contextualização e diversidade musical;
 
19. Reconhecemos o caráter essencialmente transformador e questionador da nossa arte e não cremos que ela deva estar a serviço do mercado;
 
20. Muito embora os artistas cristãos não se devam render aos senhores da mídia, tornando-se reféns desta, podem utilizar de maneira ética os meios de comunicação como canal para a divulgação de sua arte, proclamando, assim, o Reino de Deus;
 
21. No que se refere ao relacionamento entre os músicos e a liderança eclesiástica, encorajamos o diálogo, o respeito e o reconhecimento mútuo de seus ministérios como algo dado por Deus;
 
22. Incentivamos que os artistas cristãos busquem perante o Estado e a iniciativa privada recursos para a promoção de sua arte por meio de leis de incentivo à cultura, editais para financiamento de projetos culturais etc.
 
23. Encorajamos as igrejas a investir na educação e na formação de artistas;
 
24. Propomos que as igrejas e as instituições de ensino teológico incentivem as diversas manifestações artísticas e não somente a área musical;
 
25. Compreendemos que o ofício de artista é legítimo como tantos outros, podendo ser exercido pelo artista cristão no mercado de trabalho e devendo ser apoiado e incentivado pelas comunidades cristãs.
 

São Sebastião das Águas Claras, 9 de abril de 2009.

 

Assinam:

 

Debatedores:

Aristeu de Oliveira Pires Junior – Canela (RS)

Carlinhos Veiga – Brasília (DF)

Denise Bahiense – Rio de Janeiro (RJ)

Erlon de Oliveira – Belo Horizonte (MG)

Gladir Cabral – Florianópolis (SC)

João Alexandre Silveira – Campinas (SP)

Jorge Camargo – São Paulo (SP)

Jorge Redher – São Paulo (SP)

Marcos André Fernandes – Garanhuns (PE)

Marlene F. Vasques – Goiânia (GO)

Nelson Marialva Bomilcar – São Paulo (SP)

Paulo César da Silva – São José dos Campos (SP)

Romero Fonseca – Goiânia (GO)

Rubão Rodrigues Lima – Brasília (DF)

Sérgio Paulo de Andrade Pereira – Ribeirão Preto (SP)

Wesley Vasques – Goiânia (GO)

 

Demais participantes:

Alfredo de Barros Pereira – Brasília (DF)

Andréa Laís Barros Santos – Maceió (AL)

Aracy Clarkson Ferreira – Rio de Janeiro (RJ)

Armando de Oliveira – Salvador (BA)

Bruno Leonardo Alves da Fonsêca – Garanhuns (PE)

Caio César da Silva Pereira – Brasília (DF)

Carolina Gama – Campinas (SP)

Carolina Lage Gualberto – Belo Horizonte (MG)

Cláudia Barbosa de Souza Feitoza – Brasília (DF)

Danielle Martins Lima – (MG)

Davi Julião – São Paulo (SP)

Dora Bahiense – Florianópolis (SC)

Elecy Messias de Oliveira – Goiânia (GO)

Fábio Cândido de Jesus – Anápolis (GO)

Felipe de Freitas Hermsdorff Vellozo – Niterói (RJ)

Francely F. Barbosa – Anápolis (GO)

Glauber Toledo Plaça – São Paulo (SP)

Gleice de Oliveira Vicente Cantalice – Maceió (AL)

Guilherme e Alessandra Fontes Vilela Carvalho – Belo Horizonte (MG)

Guilherme Praxedes – Belo Horizonte (MG)

Hadassa de Moraes Alves – Viçosa (MG)

Irineu Santos Junior – Belo Horizonte (MG)

Isabella Sarom Sabino Honorato – Anápolis (GO)

Ismael S. Rattis – Brasília (DF)

João Carlos Pereira Junior – Vitória (ES)

Jocemar “Mazinho” Filho – Recife (PE)

Jônatas de Souza Reis – Belo Horizonte (MG)

Karen Bomilcar – São Paulo (SP)

Leonardo de Azeredo Peclát – Goiânia (GO)

Leonardo Rodrigues Barbosa – Brasília (DF)

Lidiane Dutra da Silva – (MA)

Marcel Martins Serafim – Jacareí (SP)

Marcelo Gualberto da Silva – Belo Horizonte (MG)

Márcia Pacheco Foizer – Brasília (DF)

Marilda Redher – São Paulo (SP)

Marivone Lobo Pereira – Ribeirão Preto (SP)

Pedro Barbosa de Souza Feitoza – Brasília (DF)

Rafael Ribeiro Santos – São Paulo (SP)

Renata Telha Ferreira – Rio de Janeiro (RJ)

Roberto Cândido de Barros – Curitiba (PR)

Selma de Oliveira Nogueira – São Paulo (SP)

Silvestre Moysés Loyolla Kuhlmann – São Paulo (SP)

Stênio Március – São Paulo (SP)

Talita Estrela R. Martins – Belo Horizonte (MG)

Vânia Sathler Lage – Belo Horizonte (MG)

Walma Oliveira – Rio de Janeiro (RJ)


(com um clique no título do post você pode ler este manifesto no site Cristianismo Criativo. eu recomendo).

sábado, 11 de abril de 2009

A Ponte.




Que todos pensemos no real sentido da Páscoa, assim como devemos avaliar o real sentido do Natal. Os festejos devem se basear no fato de que somos seres criados à imagem de um Pai que nos ama e que fez o que ninguém faria para se relacionar conosco: fez-se homem e morreu por nós. Pense nisso. O sacrifício de Cristo na cruz é a ponte que nos conduz aos braços do Pai.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Eu não evangelizo.

Se evangelizar é encontrar uma pessoa na rua e com toda cara de pau dizer "Jesus te ama" e dar as costas, eu não evangelizo.

Se evangelizar é tocar hino nas praças e ir para casa se achando o máximo, eu não evangelizo.

Se evangelizar é ir numa marcha para fazer propaganda de igreja e cantores, eu não evangelizo.

Se evangelizar servir para arrastar pessoas para igreja quando tem festinhas com comida e montar esquemas para ela se sentir bem-vinda somente naquele momento, eu não evangelizo.

Se evangelizar é entregar folhetos que serão jogados no chão e criará mais sujeira nas ruas, eu não evangelizo.
Se evangelizar é pregar com base para embutir culpa nas pessoas bombardeando-as com idéias de pecado e conseqüentemente o inferno para os maus e céu para os bons, eu não evangelizo.
Se evangelizar é convencer as pessoas a se protegerem do mundo dentro de uma igreja que acaba se tornando um bunker contra toda guerra espiritual e ofensivas do diabo, eu não evangelizo.
Se evangelizar é sistematizar o Evangelho, eu não evangelizo.

Agora se evangelizar é caminhar junto, estar presente na vida das pessoas, ser ombro amigo, chorar e rir em vários momentos, então eu creio que eu evangelizo.
Afinal, entendo que o maior evangelismo de Cristo foi estar ao lado, foi comer junto e presenciar toda a aflição e alegria do seu próximo.
Creio que evangelizar é sinônimo de relacionamento. O verdadeiro evangelho não é feito de seguidores e sim de amigos.

Portanto, se evangelizar é partilhar o pão nosso de cada dia, eu evangelizo.

(texto publicado no blog Lion Of Zion. com um click no título deste post você poderá ler outros textos no próprio blog).

quinta-feira, 19 de março de 2009

Religião vs Redenção



Este é o pastor americano Mark Driscoll. Ouça o que ele tem a dizer. Se quiser saber mais, clique no título do post e leia o Blog do Alex Fajardo.